Estudo revela uso crescente de IA no setor público sem garantias, com as falhas em dados e governação a aumentarem os riscos operacionais e de segurança
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As organizações governamentais estão a acelerar a adoção de Inteligência Artificial (IA), mas muitas fazem-no sem bases sólidas de dados e governação, aumentando o risco de falhas, segundo um relatório do SAS com contributos da IDC. O estudo, intitulado “Data and AI Impact Report: The Trust Imperative”, identifica um “dilema da confiança” no setor público: por um lado, a subutilização de sistemas de IA fiáveis; por outro, a dependência excessiva de tecnologias ainda não validadas. Este desalinhamento está presente em várias regiões e limita a adoção eficaz da IA. Apesar da elevada maturidade declarada, apenas 6% das organizações governamentais atingem um estado considerado ideal, combinando confiança interna e sistemas comprovadamente fiáveis. Em paralelo, 38% admitem confiar em soluções de IA sem salvaguardas adequadas, incluindo tecnologias de IA generativa. O relatório destaca ainda que os responsáveis do setor público demonstram maior confiança em IA generativa do que em modelos de machine learning, apesar destes últimos terem histórico consolidado em áreas como fiscalidade e deteção de fraude. Na avaliação global de IA fiável, apenas 15,3% das organizações governamentais atingem o nível mais elevado do índice, abaixo da média global de 19,8% e de setores como banca, seguros e ciências da vida. Afshin Almassi, diretor de setor público e saúde do SAS para Portugal, Espanha e França, afirma que a confiança na IA depende da capacidade de gerar valor e proteger os cidadãos. Segundo o responsável, o alinhamento entre ambição e preparação ainda não está consolidado. Do ponto de vista tecnológico, a ausência de uma base de dados centralizada é apontada como o principal obstáculo à implementação de IA em todas as regiões analisadas. A falta de governação de dados surge como o segundo maior desafio na maioria dos mercados. Chris Marshall, responsável de dados e análise da IDC, alerta que a transição rápida da experimentação para a operação exige maior controlo. Sem bases sólidas e governação clara, a confiança pode superar a fiabilidade, aumentando o risco para cidadãos e instituições. O relatório indica também que os governos preveem reforçar o investimento em IA. Cerca de 12,6% das organizações antecipam aumentos superiores a 20% no próximo ano, enquanto quase metade prevê crescimentos entre 4% e 20%. Entre os principais benefícios esperados estão a eficiência operacional e a melhoria de processos, bem como ganhos de produtividade individual, referidos por mais de 60% dos inquiridos. No entanto, persistem lacunas ao nível das competências. O setor público destaca mais frequentemente a falta de competências entre os colaboradores em geral do que nas equipas técnicas especializadas, o que pode dificultar a adoção eficaz da IA. Ravi Kant Sharma, responsável de investigação da IDC para o setor governamental na Ásia-Pacífico, sublinha que o sucesso dependerá do equilíbrio entre infraestruturas tecnológicas e soluções de IA fiáveis. O relatório conclui que, apesar dos planos ambiciosos, a adoção de IA no setor público continuará condicionada pela capacidade de reforçar a governação, melhorar a qualidade dos dados e desenvolver competências internas. |