Estudo da Logicalis revela que a IA já é vista como fonte relevante de risco, com falhas de governação, falta de visibilidade e escassez de competências a pressionarem as equipas de segurança
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A Inteligência Artificial (IA) está a assumir um duplo papel nas organizações, já que, ao mesmo tempo que reforça as capacidades de defesa, também se torna também uma nova fonte de risco, segundo o mais recente CIO Report da Logicalis, que inquiriu mais de mil responsáveis de IT a nível global. De acordo com o estudo, mais de um quarto dos CIO identifica a IA como uma fonte significativa de risco, colocando-a ao nível de ameaças tradicionais como malware, ransomware e phishing. Esta perceção surge num contexto em que 77% das organizações reportaram incidentes de cibersegurança no último ano, evidenciando a crescente pressão sobre as equipas de segurança. Além disso, mais de um terço dos inquiridos admite uma redução na capacidade de deteção de intrusões, enquanto 34% apontam para o aumento de “blind spots” e 41% referem tempos de resposta a incidentes mais lentos. Perante este cenário, 68% das organizações reforçaram os orçamentos destinados à mitigação pós-incidente e pagamento de resgates, antecipando um cenário em que os ataques são cada vez mais inevitáveis. Apesar do potencial da IA, o estudo revela também um sentimento ambivalente, uma vez que quase metade dos CIO admite que, em certos momentos, gostaria que esta tecnologia não tivesse sido desenvolvida. A falta de governação e controlo é outro dos pontos críticos. Apenas 37% dos CIO dizem ter visibilidade total sobre as ferramentas de IA utilizadas nas suas organizações, enquanto dois terços reconhecem que a formação dos colaboradores em gestão de risco associada à IA é insuficiente. Além disso, 62% consideram que o uso de IA por parte dos colaboradores representa um risco direto para a segurança dos dados. Os mecanismos de governação continuam pouco disseminados. Apenas 37% das organizações implementaram processos para mitigar enviesamentos em sistemas de IA, 40% recorrem a mecanismos de explicabilidade e menos de metade (48%) mantém registos e auditorias das atividades destes sistemas. A escassez de competências agrava este cenário, com um total de 94% dos CIO a reportar falta de profissionais qualificados em cibersegurança. Para responder a este desafio, metade das organizações está a apostar na contratação baseada em competências e na requalificação das equipas, enquanto 44% recorre a serviços geridos para colmatar lacunas críticas. Para Bob Bailkoski, CEO global da Logicalis, “a IA é uma força poderosa na cibersegurança, mas sem as competências e a governação adequadas pode criar mais vulnerabilidades do que proteção”. O responsável sublinha que as organizações precisam de integrar visibilidade, controlo e parcerias de confiança em todas as iniciativas de IA para conseguirem responder a um cenário de ameaças cada vez mais complexo.Parte inferior do formulário |