Empresas com melhores resultados em IA investem até quatro vezes mais em dados, governance e talento, revela estudo da Gartner
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As organizações que obtêm melhores resultados com iniciativas de inteligência artificial investem até quatro vezes mais em áreas fundamentais como qualidade de dados, governance, talento e gestão da mudança, segundo a Gartner. O estudo, baseado num inquérito a 353 líderes de dados, analytics e IA, revela, no entanto, um cenário de incerteza, uma vez que apenas 39% dos responsáveis tecnológicos inquiridos acreditam que os investimentos atuais em IA terão impacto positivo nos resultados financeiros. Para a Gartner, o papel dos líderes de dados e analytics (D&A) será determinante até 2030, com foco na criação de bases sólidas de dados confiáveis, contexto e inteligência aplicada. Entre as principais tendências identificadas está a transição para organizações “AI-first”, onde a IA deixa de ser incremental para transformar modelos de negócio de forma estrutural. Outro eixo crítico é a redefinição das equipas, com modelos mais reduzidos e orientados a resultados, combinando talento humano com agentes de IA. Estas equipas, organizadas em “decision pods”, poderão operar com estruturas mais ágeis e especializadas. A Gartner destaca ainda o papel do contexto como infraestrutura crítica. Organizações com maior maturidade nesta área conseguem atingir até mais 65% de resultados de negócio, ao garantir que os sistemas de IA operam com dados relevantes, governados e contextualizados. A integração entre engenharia de dados, IA e software surge igualmente como fator essencial para escalar iniciativas, substituindo ciclos repetitivos de provas de conceito por implementações à escala empresarial. A confiança é outro pilar central. Apenas 23% das organizações dizem estar totalmente confiantes na sua capacidade de gerir segurança e governance em projetos de IA generativa, o que limita a criação de valor. Por fim, a Gartner defende que as empresas devem evoluir de uma lógica de retorno sobre investimento (ROI) para um modelo de criação contínua de valor, onde os ganhos de eficiência são reinvestidos em inovação. O relatório conclui que o sucesso da IA não depende apenas da tecnologia, mas sobretudo da capacidade de construir uma base sólida de dados, governance e competências que permita escalar iniciativas com confiança e impacto real no negócio. |