Quase um terço das empresas já registou exposição de dados via IA, apesar da grande maioria dos responsáveis confiarem nos seus modelos de governance
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A adoção acelerada de ferramentas de Inteligência Artificial (IA) está a expor fragilidades nos modelos de governação de dados das organizações. Um estudo da ShareGate revela que 29% das empresas já registaram incidentes de exposição de dados sensíveis relacionados com IA. O estudo baseou-se em 850 líderes de IT e segurança na Europa e América do Norte, evidenciando que a maturidade da governance poderá ser determinante para o sucesso da próxima fase de adoção de inteligência artificial nas empresas. O dado contrasta com o nível de confiança dos líderes de IT e segurança, já que 93% dos inquiridos acreditam que os seus frameworks de governance, nomeadamente em Microsoft 365, são suficientes para suportar a utilização de IA de forma responsável. Entre os dados expostos estão registos de clientes (36%), documentos internos sensíveis (31%), dados pessoais (30%), informação de recursos humanos (30%) e dados financeiros (25%), evidenciando o alcance potencial destes incidentes. Apesar do risco crescente, apenas 51% das organizações realizou uma revisão abrangente de governance após a implementação de ferramentas de IA como o Copilot, o que revela um desfasamento entre adoção tecnológica e controlo. A pressão sobre as equipas também aumentou, com mais de 70% dos inquiridos a afirmarem que a IA agravou a carga de trabalho associada à governance, enquanto quase 80% manifestaram preocupação com o acesso da IA a conteúdos sem permissões atualizadas. “A IA não criou o problema de governance, expô-lo”, afirma Benjamin Niaulin, Vice-Presidente de Produto da ShareGate. Segundo o responsável, falhas como permissões excessivas ou dados mal classificados tornam-se rapidamente riscos reais quando combinadas com ferramentas de IA capazes de aceder e processar grandes volumes de informação. O impacto vai além da segurança. Com mais de 80% das organizações a esperar retorno do investimento em IA nos próximos 18 meses, a eficácia da governance surge como um fator crítico para garantir resultados. Mais de três quartos dos inquiridos reconhecem que atividades como auditorias de permissões e gestão do ciclo de vida dos dados têm impacto direto na confiança nos investimentos em IA. Perante limitações internas, 80% das organizações admite recorrer a parceiros externos para avaliar e reforçar a governance antes de expandir o uso de IA. |