IA expõe fragilidades de cibersegurança nas PME portuguesas

Estudo da Sage revela que apenas 43% das PME portuguesas evitaram ciberataques no último ano, num cenário agravado pela pressão da IA

IA expõe fragilidades de cibersegurança nas PME portuguesas

As PME portuguesas estão a dar maior prioridade à cibersegurança, mas continuam mais expostas a ataques do que a média global, segundo um novo estudo da Sage desenvolvido pela IDC.

O relatório “SMB in the Age of AI: Navigating cyber complexity and building resilience” mostra que apenas 43% das empresas portuguesas não registaram incidentes de cibersegurança no último ano, abaixo dos 54% registados a nível global. Ao mesmo tempo, 16% das PME nacionais sofreram incidentes com impacto significativo na operação, valor superior à média internacional de 11%.

O estudo, baseado num inquérito a 2.210 PME em vários mercados internacionais — incluindo 100 empresas portuguesas — conclui que Portugal apresenta um nível de maturidade de cibersegurança inferior ao registado globalmente.

Segundo os dados da IDC, apenas 24% das PME portuguesas adotam uma abordagem proativa à gestão de segurança, face aos 30% da média global. Além disso, 23% das empresas continuam a operar com modelos informais de cibersegurança e 10% reagem apenas em contexto de crise.

O relatório destaca também falhas na adoção de medidas básicas de proteção. A segurança de email é utilizada por 65% das PME portuguesas, abaixo dos 79% registados globalmente. Já a proteção de endpoints e práticas de patching e backups também apresentam níveis inferiores aos da média internacional.

A crescente adoção de inteligência artificial está igualmente a aumentar a pressão sobre as equipas de segurança.

Segundo o estudo, apenas 1% das PME portuguesas considera ter um nível “maduro” de segurança em aplicações baseadas em IA, enquanto 19% admite não ter qualquer proteção implementada nesta área.

A falta de competências internas especializadas surge como um dos principais desafios identificados pelas empresas nacionais, a par da dificuldade em implementar políticas robustas de proteção de dados e monitorizar o uso efetivo de ferramentas de IA nas organizações.

Muitas PME estão entusiasmadas com o potencial da IA, mas procuram formas simples e práticas de a adotar de forma segura”, afirma Gustavo Zeidan, Chief Information Security Officer da Sage.

O responsável defende que as empresas “não devem ter de escolher entre inovação e segurança” e sublinha a importância de soluções “secure-by-design” e de maior colaboração entre indústria e governos.

As empresas portuguesas estão a responder aos novos riscos através da definição de políticas internas de utilização de IA, adoção de ferramentas aprovadas e realização de testes de segurança antes da implementação das soluções.

Joel Stradling, Senior Research Director da IDC, alerta que muitas PME continuam a acreditar que não são alvos prioritários de ataques. “As ameaças são cada vez mais complexas e generalizadas”, afirma Joel Stradling. O responsável recomenda que a cibersegurança seja integrada desde o início nas iniciativas de IA e que as empresas adotem uma abordagem transversal à ciberresiliência.

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