As empresas em Portugal classificam a sua produtividade de forma positiva, mas continuam a enfrentar lacunas na integração tecnológica, medição de desempenho e gestão do conhecimento
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As empresas portuguesas avaliam a sua produtividade com uma média de 6,77 em 10, refletindo uma perceção globalmente positiva do seu desempenho. No entanto, um estudo da Adecco Portugal indica que persistem fragilidades estruturais que podem limitar a evolução sustentável desta produtividade. O estudo baseou-se em 273 respostas de gestores e quadros intermédios de vários setores, oferecendo uma visão alargada sobre o grau de maturidade operacional das empresas em Portugal. De acordo com o relatório, a capacidade de adaptação das organizações às necessidades do negócio também é vista de forma favorável por parte das empresas portuguesas, com uma média de 6,82 valores. No entanto, o estudo sublinha que a consolidação destes resultados dependerá de uma maior aposta na estruturação de processos, na medição e na integração tecnológica. Uma das principais lacunas identificadas está na gestão do conhecimento. Quase metade das empresas (47,97%) não dispõe de programas estruturados para partilha interna de conhecimento, enquanto apenas uma minoria tem modelos organizados com responsáveis dedicados a essa função. Também a formalização de processos continua limitada, com apenas 18,92% das empresas a possuírem manuais de procedimentos para todas as funções críticas, o que indica que o conhecimento continua, em muitos casos, dependente das pessoas e não dos processos. No plano tecnológico, o estudo revela um desfasamento entre intenção e execução. Apesar de 73,04% das empresas considerarem a tecnologia prioritária, cerca de 66,39% não têm programas de integração de inteligência artificial, evidenciando uma margem significativa para evolução. Segundo o estudo, apenas 12,30% das organizações utilizam KPI automatizados integrados nos processos, o que limita a capacidade de monitorização em tempo real e de tomada de decisão baseada em dados. O estudo aponta ainda fragilidades na gestão do absentismo. A maioria das empresas recorre a medidas pontuais e mais de metade não mede o impacto financeiro deste fenómeno, enquanto, perante picos de trabalho, muitas continuam a depender de horas extra como principal resposta operacional. “O retrato que este estudo nos deixa é o de organizações que reconhecem a importância da produtividade, mas que têm agora o desafio de a sustentar através de modelos mais estruturados”, relata Sérgio Duarte, Diretor Executivo da Adecco Portugal. O responsável acrescenta que “melhorar o desempenho não passa apenas por mais tecnologia, mas também por criar as condições, os processos e os modelos de medição que permitam às equipas responder com maior consistência”. |