Um novo estudo da Foxit revela um desfasamento entre a perceção e o impacto real da IA no trabalho com documentos: embora a maioria dos executivos considere que a IA aumenta significativamente a produtividade, o ganho efetivo médio é de apenas 16 minutos por semana
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A adoção de ferramentas de Inteligência Artificial (IA) no trabalho com documentos está a transformar fluxos de trabalho nas empresas, mas o impacto real na produtividade pode ser muito menor do que o esperado. Essa é uma das principais conclusões do relatório “The State of Document Intelligence”, divulgado pela Foxit Software. O estudo indica que 89% dos executivos e 79% dos utilizadores dizem sentir-se mais produtivos desde que começaram a usar ferramentas de IA. No entanto, quando se contabiliza o tempo gasto a verificar e corrigir os resultados gerados pela tecnologia, o ganho real é bastante reduzido. De acordo com os dados, os executivos acreditam que a IA lhes poupa cerca de 4,6 horas por semana, mas acabam por gastar 4 horas e 20 minutos a validar os conteúdos gerados, resultando num ganho líquido de apenas 16 minutos semanais. No caso dos utilizadores finais, a diferença é ainda mais evidente. Apesar de estimarem uma poupança média de 3,6 horas por semana, estes profissionais passam 3 horas e 50 minutos a rever resultados, o que representa uma perda líquida de cerca de 14 minutos por semana. Segundo Evan Reiss, senior vice president de marketing da Foxit Software, o fenómeno está relacionado com novas tarefas introduzidas pela própria utilização da IA. “A IA acelera a criação de conteúdos, mas introduz novas camadas de revisão, verificação de factos e correção. O trabalho não desaparece — é redistribuído”. O relatório também destaca que a confiança na IA continua a ser um dos principais obstáculos à sua adoção mais ampla. Entre os fatores mais citados estão preocupações com privacidade e segurança de dados (36%), confiança nos resultados gerados pela IA (34%) e precisão das respostas (25%). A perceção da fiabilidade da tecnologia varia significativamente entre níveis hierárquicos. Enquanto 60% dos executivos dizem ter elevada confiança nos resultados gerados pela IA, apenas um terço dos utilizadores finais partilha essa opinião, e apenas 10% destes afirmam estar extremamente confiantes na precisão das respostas. O estudo também revela que a adoção de IA já está a provocar mudanças na estrutura das organizações. Cerca de 68% dos executivos afirmam que a introdução da tecnologia levou a reestruturações internas ou alterações no número de colaboradores, enquanto 72% apontam a requalificação de trabalhadores como uma prioridade estratégica. Apesar disso, a perceção do impacto no emprego ainda é limitada entre os trabalhadores: apenas 12% dos utilizadores dizem estar muito preocupados com a segurança do seu emprego, sugerindo uma diferença significativa entre a visão da liderança e a realidade percebida pelas equipas. Outra preocupação crescente é o impacto da IA nas capacidades humanas. Tanto executivos como utilizadores indicaram que a dependência excessiva da tecnologia pode reduzir o pensamento crítico, apontando este fator como a principal preocupação associada ao uso de IA. Ainda assim, os utilizadores mais experientes parecem desenvolver uma visão mais equilibrada sobre o papel da tecnologia. Entre aqueles que utilizam IA várias vezes por dia, mais de 90% dizem que a tecnologia melhorou a sua produtividade, mas também reconhecem a importância de manter competências humanas de resolução de problemas. O relatório conclui que o valor da IA nos fluxos de trabalho documentais dependerá cada vez mais da qualidade da integração com sistemas existentes, da redução do tempo de validação e da confiança dos utilizadores nos resultados gerados. “O sucesso da inteligência documental depende tanto da confiança humana como do desempenho técnico”, afirmou Evan Reiss. “Precisão, transparência e supervisão humana são a base da adoção”. |