CEO da Apple passa a chairman em setembro, após 15 anos à frente da empresa, sendo substituído por John Ternus
|
Tim Cook vai deixar o cargo de CEO da Apple após quase 15 anos à frente da empresa, assumindo a função de chairman executivo a partir de setembro. A liderança operacional passará para John Ternus, atual responsável pela engenharia de hardware. A saída de Cook marca o fim de um dos ciclos de gestão mais relevantes na história recente da indústria tecnológica. Desde que assumiu o cargo em 2011, sucedendo a Steve Jobs, a Apple quadruplicou os lucros anuais para mais de 110 mil milhões de dólares e multiplicou o seu valor de mercado, que ultrapassa atualmente os quatro biliões de dólares. Durante este período, a empresa consolidou o seu modelo global, com uma cadeia de produção altamente distribuída e uma forte aposta em serviços digitais, que atualmente representam uma parte significativa das receitas. John Ternus, que integra a Apple desde 2001, liderou o desenvolvimento de produtos como o Mac e o iPad e torna-se, assim, o terceiro CEO desde o regresso de Steve Jobs à empresa, em 1997. “Estou otimista sobre o que podemos alcançar nos próximos anos”, afirmou o novo CEO, comprometendo-se a manter os valores e a visão da empresa. A transição acontece num momento desafiante para a Apple, já que a empresa enfrenta pressão para inovar, num contexto em que ainda não lançou novos produtos de grande impacto nos últimos anos e tem sido mais cautelosa no investimento em Inteligência Artificial face a outros gigantes tecnológicos. Além disso, a tecnológica lida com desafios geopolíticos e regulatórios, incluindo tensões com a China, onde produz a maioria dos iPhones, e questões relacionadas com tarifas e processos antitrust. Apesar disso, a Apple mantém uma posição sólida, sustentada pelo desempenho do iPhone, pelo crescimento dos serviços digitais e pela sua base global de utilizadores. Tim Cook vai continuar envolvido na empresa enquanto chairman executivo, com responsabilidades que incluem a relação com decisores políticos, numa fase que descreveu como “um momento de transição”. |