Agentes autónomos prometem revolucionar operações bancárias

Um estudo da BCG e da OpenAI conclui que agentes de inteligência artificial podem reduzir custos operacionais da banca até 40% até 2030

Agentes autónomos prometem revolucionar operações bancárias

A utilização de agentes de Inteligência Artificial (IA) na banca poderá aumentar a rentabilidade das instituições financeiras em até 30% e reduzir custos operacionais entre 30% e 40% até 2030, segundo um novo estudo da Boston Consulting Group (BCG) desenvolvido em parceria com a OpenAI.

O relatório “How Retail Banks Can Put AI Agents to Work” analisa o impacto dos chamados agentes de IA na transformação operacional da banca de retalho. A análise conclui que o principal potencial da IA no setor financeiro não está apenas nas interfaces conversacionais, mas sobretudo na automatização de processos críticos de back-office, compliance e análise de crédito.

Segundo a BCG, muitos destes processos continuam fortemente dependentes de tarefas manuais, reconciliação de dados e validação humana, apesar de décadas de investimento em digitalização.

A IA com agência muda este paradigma de forma estrutural: não é mais uma vaga de automação, é sim a infraestrutura do banco do futuro”, afirma Pedro Pereira, Managing Director & Senior Partner da BCG em Lisboa.

O estudo identifica várias áreas com elevado potencial de transformação, incluindo onboarding de crédito, verificação de identidade, deteção de fraude, gestão documental regulatória e tratamento de exceções operacionais.

Segundo a consultora, a automatização destas atividades poderá libertar equipas humanas para funções de maior valor acrescentado, como aconselhamento, supervisão estratégica e gestão de relações com clientes.

A BCG considera também que os agentes de IA podem acelerar significativamente tempos de resposta, aumentar produtividade e melhorar a experiência dos clientes bancários. O relatório destaca ainda a crescente relevância da governança, auditabilidade e controlo regulatório na adoção de IA pelo setor financeiro europeu.

Segundo a análise, regulamentações como o AI Act e a diretiva DORA exigem que as instituições financeiras implementem modelos de IA transparentes, auditáveis e integrados nos atuais frameworks de risco e compliance.

A abordagem proposta pela BCG e pela OpenAI prevê precisamente a integração dos agentes de IA dentro dos mecanismos de controlo já existentes, garantindo rastreabilidade e conformidade regulatória. Apesar do potencial identificado, o estudo conclui que muitas instituições continuam ainda numa fase inicial de adoção, frequentemente limitada a projetos-piloto isolados.

Para acelerar a implementação em escala, a consultora recomenda começar por processos intensivos em documentação, integrar os agentes com políticas de risco existentes e realizar testes rigorosos com dados históricos antes da entrada em produção.

O estudo defende ainda a criação de estruturas centralizadas de governação para garantir autenticação, auditoria e monitorização contínua das operações baseadas em IA. “Os bancos que agirem com determinação hoje serão os que definirão os padrões de amanhã”, acrescenta Pedro Pereira.

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