Estudo da Michael Page demonstra que apenas 44% dos profissionais ponderam mudar de emprego, numa altura em que o equilíbrio entre vida pessoal e profissional ganha peso nas decisões de carreira
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A intenção de mudança de emprego está a diminuir, numa tendência que reflete a crescente valorização do equilíbrio entre a vida profissional e pessoal por parte dos trabalhadores. Esta é uma das principais conclusões do estudo “Talent Trends 2026”, da Michael Page, que analisou as respostas de mais de 60 mil profissionais em 36 países, incluindo Portugal. Segundo o relatório, apenas 44% dos profissionais inquiridos consideram mudar de função, um valor significativamente inferior aos 59% registados em 2023. O principal fator por detrás desta menor mobilidade é o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal, que surge à frente da remuneração, progressão de carreira e segurança no emprego. O estudo revela que dois em cada cinco profissionais receiam perder esse equilíbrio ao aceitar uma nova oportunidade. Em contrapartida, quando as condições de trabalho se deterioram, a predisposição para mudar aumenta rapidamente. Cerca de 40% dos inquiridos afirmam que procurariam outro emprego caso lhes fosse exigida uma maior presença física no escritório. A análise destaca igualmente o impacto crescente da Inteligência Artificial (IA) nos processos de recrutamento. Em Portugal, 63% dos candidatos utilizam ferramentas de IA para melhorar currículos, personalizar candidaturas e sintetizar competências, enquanto 30% das empresas recorrem a estas tecnologias para otimizar descrições de funções, estruturar entrevistas e agilizar a comunicação com candidatos. No contexto profissional mais alargado, a utilização de IA generativa passou de 24% dos profissionais em 2024 para 67% em 2026. Contudo, a generalização destas ferramentas também está a criar novos desafios. O estudo indica que 35% dos empregadores admitem não conseguir identificar se uma candidatura foi criada ou otimizada com recurso à IA, aumentando a necessidade de métodos complementares de avaliação. Por isso, exercícios práticos, simulações e avaliações em contexto real estão a ganhar importância nos processos de recrutamento, permitindo analisar competências como comunicação, capacidade de decisão e pensamento crítico. A escassez de competências continua a ser apontada como o principal desafio para 39% das empresas. Como resposta, 31% das organizações já privilegiam competências em detrimento da formação académica ou do percurso profissional. Do lado dos candidatos, 71% afirmam estar mais disponíveis para concorrer a funções onde as competências são o principal critério de avaliação. Entre as competências mais valorizadas destacam-se a capacidade de adaptação (57%), as competências interpessoais (48%) e a comunicação (30%), consideradas mais difíceis de automatizar e mais relevantes para o desempenho futuro. A confiança na liderança e a transparência salarial surgem igualmente como fatores decisivos para a retenção de talento. O estudo mostra que 77% dos profissionais que não pretendem mudar de emprego confiam nas suas lideranças, percentagem que cai para 33% entre aqueles que procuram ativamente novas oportunidades. 85% dos candidatos que procuram ativamente novas oportunidades trabalham em organizações com estruturas salariais pouco transparentes. Em sentido contrário, 49% dos empregadores com políticas salariais claras afirmam que os processos de recrutamento se tornaram mais simples no último ano. Para a consultora, o recrutamento está a evoluir para um modelo mais exigente, em que tecnologia, competências e expectativas dos profissionais se influenciam mutuamente. As organizações que combinarem eficiência tecnológica com transparência, confiança e foco nas pessoas estarão mais bem posicionadas para atrair e reter talento. |