Para lá da produtividade: Xpand IT recorre a IA generativa para melhorar realidade operacional da Unicre

A Inteligência Artificial generativa está a assumir um papel na transformação dos processos de negócio. Na Unicre, a adoção da solução StoryWeaver, desenvolvida pela Xpand IT, permitiu automatizar a criação de user stories, reforçar a colaboração entre negócio e tecnologia e introduzir maior consistência no ciclo de desenvolvimento de software

Para lá da produtividade: Xpand IT recorre a IA generativa para melhorar realidade operacional da Unicre
Xpand IT

A relação de parceria entre a Xpand IT e a Unicre já contabiliza vários anos de iniciativas conjuntas.

A instituição financeira portuguesa, que tem apostado no desenvolvimento e automatização de processos internos para garantir a eficiência operacional, encontrou na tecnologia uma oportunidade para ganhar mais eficiência, estar mais próxima do negócio e garantir uma entrega com maior responsabilidade.

Aliado à necessidade de acelerar a transformação digital da instituição, a Unicre procurava, sobretudo, traduzir as necessidades de negócio complexas em user stories mais claras, consistentes e completas, uma vez que, sem o investimento da tecnologia, era necessário um esforço manual e a distribuição do conhecimento pelas equipas, o que poderia culminar em falhas e interpretações divergentes.

Por outro lado, o desafio do alinhamento entre negócio e tecnologia era também um entrave à colaboração, à tomada de decisão e à criação de uma visão partilhada.

Uma solução para todos

A Xpand IT foi responsável pela criação da StoryWeaver, uma iniciativa interna, criada num primeiro momento para resolver dores reais das próprias equipas de delivery, mas que foi rapidamente adotada em outras realidades organizacionais, como foi o caso da Unicre.

 

Marisa Martins, Chief Digital Officer da Unicre

“O projeto StoryWeaver surgiu inicialmente como resposta a um problema operacional bastante concreto dentro da organização, relacionado com a dificuldade em estruturar e uniformizar a definição funcional. Existia um desafio recorrente na criação de User Stories e critérios de aceitação, o que gerava inconsistências, retrabalho e dificuldades na passagem de requisitos entre as equipas de negócio e tecnologia”, começa por contextualizar Marisa Martins, Chief Digital Officer da Unicre.

No entanto, à medida que evoluiu, a solução assumiu um papel mais estratégico, integrando-se numa iniciativa mais ampla de transformação digital orientada à utilização de Inteligência Artificial (IA) generativa para aumentar a produtividade, melhorar a qualidade dos outputs e normalizar processos no ciclo de desenvolvimento.

Muito mais do que automatização

O StoryWeaver recorre à IA generativa para automatizar a criação de user stories estruturadas. Um dos elementos-chave desta solução que integra Azure DevOps, explica a Xpand IT, passa pela utilização de modelos de IA que transformam os requisitos de negócio em linguagem técnica e estruturada.

Sérgio Viana, Managing Partner da Xpand IT

 

Numa fase em que existe um “hype muito elevado em relação à IA generativa”, Sérgio Viana, Managing Partner da Xpand IT acredita que está a trazer “uma componente positiva porque imprime alguma cadência, mas é importante garantir que, quando os projetos avançam, temos uma noção do impacto que eles podem criar”.

Na ótica de Marisa Martins, o tema da GenAI começa a estar generalizado, mas ainda são poucos os casos de uso. “Sabemos o potencial que este novo paradigma pode trazer, mas a verdade é que é quase obrigatório começarmos a dar os primeiros passos nesta tecnologia, não só para começamos a ter conhecimento interno, mas também para nos permitir definir uma estratégia sólida e consistente dentro da organização”.

A adoção da solução aconteceu de forma faseada, e “com uma forte componente de change management”, acrescenta Marisa Martins. Num primeiro momento foram feitas sessões de apresentação para as diferentes equipas, com o objetivo de explicar a solução e promover a sua utilização. “Em paralelo, foi definido um modelo de piloto com early adopters, permitindo testar a ferramenta em contexto real de projeto, acompanhar o seu uso em sprints concretas e recolher feedback estruturado sobre o desempenho da solução”.

O processo em causa teve em conta momentos de reflexão sobre possíveis melhorias e a capacitação das equipas para a sua utilização contínua após alguma resistência inicial.

As aprendizagens relevantes

Para a Unicre, a solução ofereceu uma compreensão clara sobre os “ganhos significativos de eficiência”, em especial na “redução do tempo de documentação e na melhoria da qualidade das User Stories”.

Ainda assim, Marisa Martins sublinha que o StoryWeaver não procura eliminar a validação humana, uma vez que “a qualidade dos resultados depende fortemente da qualidade dos inputs e do contexto fornecido, o que obriga a um cuidado acrescido na definição inicial dos requisitos”.

Este tipo de soluções, considera, continuam a depender de “um processo contínuo de interação e feedback, sendo necessário ajustar tanto o modelo como a forma de utilização ao longo do tempo”.

Para a responsável, o projeto e a implementação desta solução deixaram bem patente “um dos maiores benefícios da IA neste contexto”, que passa, sobretudo, pela “capacidade de introduzir maior consistência e standardização nos outputs”, o que implica, necessariamente, um “impacto direto na eficiência global do processo.”

Na visão de Sérgio Viana, e apesar de muitas organizações recorrerem à IA generativa para garantirem benefícios na produtividade – como a eliminação de tarefas repetitivas ou a redução de tempo de execução –, os projetos com maior maturidade estão a escalar para além desta dimensão. “A verdadeira transformação acontece quando a IA deixa de ser vista apenas como uma forma de fazer mais rápido e passa a ser usada para repensar a forma como o trabalho é organizado, como a informação circula e como as equipas colaboram”, garante o Managing Director.

É aqui que a história da Unicre ganha vida, com a solução implementada a contribuir para um desenvolvimento mais claro e consistente das necessidades de negócio. “A produtividade é, muitas vezes, o ponto de partida, mas a redefinição de processos é onde está o valor estratégico da IA”, reitera.

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IT INSIGHT Nº 62 JULHO 2026

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