A Parfois reforçou a sua estratégia de dados com apoio da DXC Technology Portugal. O objetivo é melhorar a análise e acelerar decisões num contexto de crescimento global e maior complexidade operacional para a marca portuguesa
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A velocidade, a gestão de produto e, sobretudo, a compreensão do comportamento dos clientes são alguns dos fatores críticos que caracterizam a indústria da moda. E quando o tema envolve uma jornada de transformação digital, aliada ao uso de dados para benefício do negócio, estes fatores ganham uma nova dimensão e entram num novo patamar. É neste âmbito que surgiu a parceria entre a DXC Technology e a Parfois. “O principal desafio aqui já não é mais sobre ter dados, mas sim sobre transformá-los em decisões de forma rápida”, começou por contextualizar Miguel Rodrigues, Head of Data da Parfois, durante a apresentação do case study na edição deste ano do Building The Future. Compreender a moda: os dados como orientadores da transformação
De Portugal para o mundo, a marca portuguesa de moda e acessórios para mulher está presente em mais de mil localizações, divididas por 70 países. O crescimento da organização e o consequente aumento do volume de dados em análise levantaram desafios na plataforma de dados, nomeadamente ao nível da escala e da performance. “Com mais lojas, mais mercados, mais canais digitais, tornou-se cada vez mais difícil garantir e entregar insights às equipas de negócio”, revelou Miguel Rodrigues, que identificou ainda a complexidade da manutenção dos produtos como outro dos desafios, a par da necessidade de evoluir para cenários mais complexos, com componente de analítica real-time e uso de Inteligência Artificial (IA). A DXC Technology foi o parceiro deste projeto: “o tema aqui era a dispersão dos dados, assim como a fiabilidade destes mesmos dados, ou seja, precisavam de ter a capacidade de criar uma fonte única de verdade”, revelou Adolfo Martinho, Diretor Geral da DXC Technology Portugal.
Num universo “altamente competitivo” como o mundo da moda, Nuno Moura Pinheiro, Head of Data & AI da DXC Portugal, tem testemunhado de perto o projeto e a sua implementação, numa jornada que obriga a otimizar a “criação de produto, os desejos do cliente, a parte de stock, de vendas propriamente ditas, e toda a logística feita”, num caminho que “gera muita informação” passível de tratamento para compreender como servir ainda melhor o cliente. Criar a própria moda: tirar partido dos dados para satisfazer os clientesO projeto arrancou, descreve Adolfo Martinho, com um processo de consultoria que ajudou a Parfois a identificar e a definir os repositórios de dados e a estruturar os mesmos de acordo “com boas práticas”. A primeira fase passou pela resolução do problema de performance e escalabilidade. “A Parfois tinha todos os dados on-premises e, portanto, em contextos como uma Black Friday, em que as vendas se multiplicam de uma forma exponencial e é preciso tomar decisões, é preciso ter dados, e a capacidade dos servidores normais é limitada. Ir para a cloud permitiu-lhes fazer isso”, frisa Nuno Moura Pinheiro. A solução encontrada passou pela adoção de uma abordagem Data Mesh e uma nova plataforma, com a criação de domínios dentro da própria organização, cada um com os seus modelos. “Os dados deixaram de ser propriedade do IT e passaram a ser propriedade do próprio negócio, porque é o negócio que conhece os dados, que sabe se têm qualidade, ou não, e se servem ou não. É todo este trabalho que temos vindo a construir”, reitera o responsável de dados e IA da DXC Technology. Miguel Rodrigues considera que o grande impacto do projeto tem passado por “tornar os dados mais acessíveis, mais rápidos e mais próximos das equipas de negócio” da Parfois. A capacidade da plataforma tornou possível o tratamento de uma elevada quantidade de dados sem que tenha existido perda de performance. Outro dos benefícios trazidos pelo projeto culminou no aumento da performance operacional, uma vez que a nova arquitetura permitiu a otimização dos custos e a melhoria de performance. O caminho percorrido em conjunto com a DXC Technology tem permitido à Parfois servir da melhor forma o seu cliente final, através de um projeto orientado a conhecer as tendências e os gostos dos clientes da empresa portuguesa. “Outra melhoria que tivemos foi na capacidade de decisão. Os dados e a análise mais acessível e rápida podem agora apoiar a Parfois e o crescimento internacional que temos”, considera o responsável de dados da marca. No caso da própria DXC Technology, as vantagens do projeto dividiram-se em aspetos técnicos e aspetos funcionais. O primeiro implicou novas ferramentas de trabalho e o desenvolvimento das equipas nesse novo contexto; o segundo está relacionado com o posicionamento das próprias equipas da tecnológica e a compreensão de projetos desta dimensão. Nunca sair de moda: as partes como um todo
Na visão de Nuno Moura Pinheiro, este tipo de projetos tem permitido à Parfois mudar “as regras de como se trabalha”. “Quando eu tenho, numa única plataforma, várias áreas a criarem os seus produtos de dados, trabalhadas por si, porque conhecem os produtos, e depois servem como inputs às outras áreas, isso cria uma sinergia e uma dinâmica que faz com que a empresa tenha sucesso e as áreas consigam trabalhar em conjunto, beneficiando dos dados uns dos outros”. Alinhado com esta perspetiva, Miguel Rodrigues não tem dúvidas de que os dados serão o “motor central” da operação e inovação da marca portuguesa, com um futuro assente em três principais pilares: a democratização dos dados, que deverão estar “ainda mais próximos das equipas e do negócio”; a IA com agência, que permitirá integrar áreas com diferentes tipos de maturidade de dados; e a analítica avançada, que possibilitará prever e otimizar a cadeia de abastecimento em benefício do crescimento da Parfois. “Estamos a construir um futuro onde os dados não são utilizados apenas para fazer análise, mas para serem uma parte central de cada decisão que a empresa toma”, conclui. |