A Gartner prevê que os orçamentos de tecnologia jurídica dupliquem até 2028. O crescimento é impulsionado pela adoção de plataformas Legal AI multiagente
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A Gartner prevê que os investimentos em tecnologia jurídica aumentem significativamente até 2028, impulsionados pela adoção crescente de plataformas especializadas de Inteligência Artificial (IA) para departamentos legais. Segundo a consultora, soluções como Harvey, Legora, GC AI e Thomson Reuters CoCounsel já estão a gerar ganhos relevantes de produtividade e eficiência em workflows jurídicos empresariais. Weston Wicks, Senior Director Analyst da prática Legal & Compliance da Gartner, afirma, em comunicado, que as aplicações Legal AI multiagente estão a ajudar equipas jurídicas a reduzir carga administrativa, acelerar processos e diminuir dependência de aconselhamento jurídico externo. As plataformas combinam agentes especializados e modelos de IA de utilização geral integrados através de workflows estruturados, permitindo automatizar tarefas jurídicas complexas e apoiar decisões com base em dados internos e bases legais especializadas. A Gartner considera que esta abordagem pode melhorar a gestão de risco, reforçar compliance e aumentar a consistência das decisões jurídicas dentro das organizações. Segundo a consultora, as aplicações Legal AI estão particularmente orientadas para acelerar workflows repetitivos e libertar equipas jurídicas para atividades de maior valor estratégico. A Gartner identificou seis áreas principais onde estas plataformas já demonstram benefícios operacionais. Entre elas estão a aceleração da pesquisa jurídica através de queries em linguagem natural, automação da preparação de processos e litígios, revisão automática de contratos e extração de metadata contratual. A consultora destaca também a utilização destas plataformas em processos de due diligence de fusões e aquisições, permitindo reduzir tempos de análise documental de semanas para dias. Outra das capacidades identificadas envolve a orquestração automatizada de workflows jurídicos completos, desde receção de pedidos até análise, produção documental e validação. Segundo Weston Wicks, os ganhos vão depender da forma como as soluções forem implementadas e integradas nos processos organizacionais. A Gartner prevê ainda que, até 2029, cerca de 50% das revisões contratuais passem a ser realizadas por sistemas self-service baseados em IA, com apenas um em cada 10 casos a necessitar de validação humana. No mesmo período, a consultora estima que 60% dos departamentos jurídicos utilizem sistemas de intake suportados por IA capazes de responder autonomamente a metade dos pedidos recebidos. A Gartner considera que a evolução das plataformas Legal AI poderá alterar profundamente a operação dos departamentos jurídicos empresariais, num contexto de crescente complexidade regulatória e pressão sobre eficiência operacional. |