UiPath leva orquestração da IA Agêntica à operação

Da tecnologia ao retalho, passando pela saúde, serviços públicos e indústria, o UiPath Fusion Summit Lisbon mostrou como a automação e a IA estão a sair dos pilotos para entrar nos processos críticos das organizações.

UiPath leva orquestração da IA Agêntica à operação
@MediaNext

O UiPath Fusion Summit Lisbonrealizado no Hotel Cascais Miragem, em Cascais, reuniu clientes, parceiros e especialistas para discutir a passagem da automação e da Inteligência Artificial (IA) da experimentação para uma lógica de orquestração, governação e valor mensurável.

 

João Oliveira Diniz, Sales Director Portugal da UiPath

Em entrevista à IT Insight, João Oliveira Diniz, Sales Director Portugal da UiPath, afirmou que o interesse no evento confirma que as organizações “já não encaram estas tecnologias como tendências futuras ou exercícios de inovação isolados”. Para o responsável, IA e automação são atualmente “fatores determinantes para aumentar a produtividade, acelerar o crescimento e reforçar a competitividade das empresas”. Dar esse salto implica, segundo João Oliveira Diniz, durante a abertura do evento, “integrar inteligência artificial, automação, sistemas empresariais e equipas humanas num fluxo operacional único, governado e monitorizado”. Jesus Paredes Sanz, Regional Vice President Iberia da UiPath, apontou a mesma mudança de mentalidade, uma vez que “já não se trata apenas de ganhos de eficiência ou redução de custos” e que o desafio é agora perceber como melhorar margens, gerar receita e escalar as empresas de forma mais eficiente.

Orquestrar antes de multiplicar

Henrique Carreiro, Diretor da IT Insight

 

Henrique Carreiro, Diretor da IT Insight e professor convidado nas áreas de Big Data, Cloud Computing e Data Science, alertou para o risco de repetir, com agentes inteligentes, os erros cometidos com silos de dados e aplicações departamentais. O sucesso não está em criar um agente, mas em coordenar vários que tocam diferentes sistemas, permissões e processos, mantendo sempre “human in the loop e responsabilidade definida por decisões e exceções”.

 

Misael Viana, Automation Center Leader da NOS

A NOS trouxe a primeira demonstração prática desta transição. Misael Viana, Automation Center Leader da operadora, explicou que a empresa trabalha com a UiPath desde 2018 e tem atualmente mais de 500 automações, com crescente incorporação de IA generativa na interpretação de e-mails de clientes empresariais e no despiste técnico por voz. “Mais importante do que a automação inteligente é ser inteligente com a automação”, resumiu.

Alexandru Mihailciuc, SVP, Sales Engineering da UiPath, descreveu a convergência entre RPA, automação determinística, agentes e compreensão documental numa plataforma única, com “guardrails e governance” integrados, incluindo acesso baseado em roles, camada de confiança de IA e auditoria centralizada.

Da eficiência ao valor de negócio

Tiago Niza Ribeiro, RPA Manager da MC Sonae

 

A Sonae MC percorreu uma jornada semelhante, segundo Tiago Niza Ribeiro, RPA Manager da MC Sonae, que recordou que a empresa passou de cerca de 17 mil horas automatizadas por ano para 150 mil em 2024 e 2025. “O RPA junto com a IA faz com que nós paremos de conduzir um carro e passemos a andar de avião”, exemplificou. Já Tore Brynaa, Senior Transformation Director da UiPath, advertiu que medir o sucesso apenas pelas horas poupadas é insuficiente e que cada organização deve identificar o seu “carro de corrida” e ligar a automação ao objetivo estratégico que pretende alcançar.

Na Segurança Social, Sérgio Duarte, Diretor do Departamento de Soluções Transversais e Suporte, e Fernando Pereira, Diretor da Unidade de Soluções Corporativas e Automação, apresentaram a automação como instrumento de serviço público. Só em 2025, explicou Sérgio Duarte, iniciativas digitais evitaram mais de três milhões de deslocações a balcões, com o objetivo de “servir melhor as pessoas e responder mais depressa”. Já Fernando Pereira destacou a atribuição do NISS, automatizada “em 35 segundos”, e processos com “um tempo de resposta muito menor”.

Setores mostram casos reais

A componente tecnológica voltou ao centro com Marcel Monteiro, Senior Sales Engineer da UiPath, e Kobi Shaal, Director, Solution Engineering da UiPath, que demonstraram como o Maestro permite observar processos completos, e não apenas agentes isolados. Descrito por Kobi Shaal como a “joia” da plataforma, o Maestro orquestra agentes, RPA, API e outras tecnologias no mesmo fluxo, enquanto Marcel resumiu o princípio ao defender que se deve olhar para “um agente como parte de um processo”.

Na conversa entre ABP e CUF, Bruno Silva, Iberia Sales Executive da ABP, apresentou a automação em saúde como uma combinação de execução robusta, orquestração, capacidades inteligentes e governação, sempre focada em problemas concretos. Já Alexandre Santos, Enterprise Architect da CUF, sublinhou a especificidade do setor, recordando que, “no caso do healthcare, nós tratamos pessoas” e que estas oportunidades devem ser vistas “sempre com essa lente” de humanismo.

 

Ana Rodrigues, Intelligent Automation Manager da H.B. Fuller

Alexandru Mihailciuc defendeu que a automação deve ser construída “by design” nos projetos SAP, enquanto João Testa Santos, Senior Manager da Deloitte Portugal, sublinhou que a UiPath permite manter “o core da solução tão limpo quanto possível”, fazendo a extensibilidade fora do ERP. O potencial do RPA como capacidade estratégica foi evidenciado pela H.B. Fuller, com Ana Rodrigues, Intelligent Automation Manager, a explicar que a automação deixou de ser “uma iniciativa isolada” para se tornar “um movimento interno”. Assente em capacitação interna, governação e orquestração, passou de uma lógica de eficiência para “uma capacidade estratégica”, com ferramentas como o Maestro a darem visibilidade, em tempo real, à execução de processos complexos.

A necessidade de testar mais código gerado com IA serviu de ponto de partida para Marcel Monteiro apresentar o UiPath Test Cloud. Perante “um crescimento exponencial na capacidade de desenvolvimento” e uma evolução muito menor na capacidade de testar, a solução procura acelerar o processo de teste com recurso a IA.

A jornada My Invoice, apresentada por Khouanesay Khamsay, Business Analyst da Servier, e Alexandre Molle, Consulting Manager da Roboyo, combinou agentes de IA e RPA para classificar e-mails, extrair dados, acionar processos em SAP e responder a fornecedores. Segundo os responsáveis, o caso permite tratar “100 e-mails por dia”, gerir “17 tipos de processos” e poupar “mais de dez mil horas por ano”.

No encerramento, a UiPath sublinhou que a próxima fase da IA nas empresas dependerá menos da multiplicação de ferramentas e mais da capacidade de as orquestrar com controlo, segurança e impacto real.

 

Conteúdo co-produzido pela MediaNext e pela UiPath

Tags

RECOMENDADO PELOS LEITORES

REVISTA DIGITAL

IT INSIGHT Nº 62 JULHO 2026

IT INSIGHT Nº 62 JULHO 2026

NEWSLETTER

Receba todas as novidades na sua caixa de correio!

O nosso website usa cookies para garantir uma melhor experiência de utilização.