A Gartner prevê que nenhuma carga de trabalho empresarial de IA em escala será executada em hardware quântico antes de 2028, mantendo a computação clássica como a principal tecnologia
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A computação quântica não deverá suportar cargas de trabalho empresariais de Inteligência Artificial (IA) em escala antes de 2028. A previsão é da Gartner, que considera que a computação clássica acelerada vai continuar a dominar todos os ambientes de produção durante este período. Segundo a consultora, não existe atualmente qualquer resultado validado por revisão científica que demonstre uma vantagem da computação quântica na execução de cargas de trabalho de IA em produção. “Quando os fornecedores afirmam disponibilizar 'IA quântica', normalmente estão a referir-se a técnicas híbridas ou inspiradas na computação quântica, e não a IA nativa executada em hardware quântico à escala empresarial”, explica Chirag Dekate, Vice President Analyst da Gartner. “A verdadeira computação quântica ainda não está preparada para qualquer carga de trabalho de IA em produção e, muito provavelmente, continuará sem o estar durante o resto desta década”, aponta também. A Gartner distingue a IA quântica de outras abordagens já utilizadas pelas organizações. Entre elas estão a IA clássica, executada em CPU, GPU ou TPU; os algoritmos inspirados na computação quântica, que funcionam em hardware convencional; e os métodos híbridos, que combinam pequenos circuitos quânticos com sistemas clássicos para fins experimentais. Separar os investimentos em IA e computação quânticaA consultora alerta ainda que o crescente interesse pela convergência entre IA e computação quântica pode levar algumas organizações a desviar investimentos de projetos de IA com retorno comprovado para iniciativas de investigação que dificilmente gerarão valor antes de 2030. “Juntar os orçamentos de IA e computação quântica distorce a responsabilização em ambas as áreas e faz com que o potencial futuro da computação quântica retire recursos a capacidades de IA que já estão prontas para produção”, afirma Chirag Dekate. Para o responsável, “os CIO continuam a colocar a IA generativa, a IA com agência, a cibersegurança e a cloud entre as principais prioridades de investimento”, sendo que “a computação quântica não surge entre essas prioridades”. De acordo com a Gartner, as organizações que pretendam explorar o potencial desta tecnologia devem privilegiar, para já, algoritmos inspirados na computação quântica executados em infraestruturas de GPU, definir critérios claros para encerrar projetos-piloto que não apresentem resultados e acompanhar a evolução da computação quântica com base em indicadores como o número de qubits lógicos e os avanços na correção de erros, em vez de se focarem apenas no aumento do número de qubits físicos. |