A adoção de inteligência artificial está a avançar mais depressa do que a preparação das empresas, condicionada por sistemas legados, falta de talento e dificuldades em medir resultados
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A utilização de Inteligência Artificial (IA) nas empresas está a aumentar, mas a capacidade para escalar a tecnologia continua aquém da ambição dos responsáveis de negócio e de IT, segundo a edição de 2026 do estudo global “CGI Voice of Our Clients”. De acordo com o relatório, baseado em entrevistas presenciais e aprofundadas a mais de 1.800 executivos das áreas de negócio e tecnologia, a maioria em cargos de direção, a implementação de IA generativa aumentou 30 pontos percentuais nos últimos dois anos. Atualmente, 62% das organizações já aplicam IA aos processos operacionais e de negócio. As entrevistas abrangeram temas como estratégia, modernização de IT, talento, cibersegurança, dados, IA, cloud, regulamentação, inovação e sustentabilidade. Apesar desta evolução, apenas 40% têm uma estratégia empresarial para IA e 20% estendem essa estratégia ao ecossistema mais alargado. Além disso, somente 51% quantificam os resultados obtidos com a adoção da tecnologia. A modernização das bases tecnológicas permanece um dos principais obstáculos. O estudo mostra que 45% dos executivos consideram os sistemas legados um desafio significativo para as estratégias de dados e IA. A CGI defende que aplicar estas tecnologias sobre dados fragmentados, sistemas antigos e modelos operacionais desatualizados pode aumentar a complexidade em vez de produzir resultados mensuráveis. Escassez de talento condiciona execuçãoAs competências são outra limitação identificada. Quase 70% dos executivos referem dificuldades no recrutamento de profissionais de IT, enquanto 52% indicam que a escassez de talento tem um impacto significativo nos programas e na capacidade de execução. A pressão sobre os custos permanece, contudo, a principal limitação apontada pelas organizações. A combinação destes fatores está também a aumentar o recurso a modelos de Managed Services, utilizados pelas organizações para complementar competências internas e reforçar a capacidade de execução dos projetos. “Para transformar esse investimento em resultados concretos, as organizações devem modernizar as suas plataformas, fundações de dados e modelos operacionais, assegurando simultaneamente que a IA é adotada de forma responsável, escalada de forma eficaz e alinhada com prioridades de negócio claras e com a criação de valor”, afirma Carlos Lourenço, Senior Vice-President da CGI em Portugal. A aceleração tecnológica e digital continua a ser a macrotendência com maior impacto para 70% dos executivos. Ao mesmo tempo, 52% estão a dar prioridade à soberania dos dados e a estratégias de cloud locais, mas apenas 25% classificam os respetivos modelos operacionais como altamente ágeis. |