Estudo da Gartner revela que, em 2026, os trabalhadores valorizam mais a segurança financeira e a proteção contra custos inesperados do que o equilíbrio entre vida pessoal e profissional
|
As preferências dos trabalhadores relativamente à remuneração e benefícios estão a mudar, com a estabilidade e a segurança financeira a ganharem importância em detrimento de fatores como o equilíbrio entre vida pessoal e profissional e a progressão na carreira, segundo a Gartner. Um inquérito realizado em maio de 2026 junto de 10.055 trabalhadores concluiu que as 15 componentes de remuneração e benefícios mais valorizadas são dominadas por medidas que proporcionam estabilidade financeira e proteção contra despesas futuras inesperadas. Benefícios médicos, incentivos de longo prazo e apoios financeiros flexíveis ganharam importância. Em contrapartida, fatores como férias pagas, equilíbrio entre vida pessoal e profissional e diferenciação salarial individual são atualmente menos valorizados do que no passado. “Num ambiente empresarial incerto, as organizações devem reajustar as suas estratégias de remuneração e benefícios para atrair e reter talento crítico, ao mesmo tempo que otimizam custos”, afirma Augustus Vickery, Director Analyst na área de Recursos Humanos da Gartner. A consultora identifica três mudanças que as empresas podem introduzir. A primeira passa por apoiar a criação de riqueza a longo prazo. Os trabalhadores valorizam aumentos futuros do salário base, o valor dos incentivos de longo prazo e os respetivos períodos de aquisição de direitos, mostrando menor interesse pela diferenciação salarial baseada no mérito ou por incentivos de curto prazo. A Gartner recomenda, por isso, que as empresas revejam as suas estratégias de incentivos, alarguem o acesso a benefícios de longo prazo a grupos de profissionais considerados críticos e avaliem novos modelos de incentivos financeiros. Outra das mudanças passa pela revisão dos programas de bem-estar. Um segundo inquérito da Gartner, realizado no primeiro trimestre de 2026 junto de 11.838 trabalhadores, revela que menos de 35% dos inquiridos apresentavam níveis elevados de bem-estar geral, apesar dos investimentos realizados pelas empresas nos últimos anos. Segundo a consultora, muitos benefícios individuais nesta área têm uma valorização reduzida pelos trabalhadores. Entre as exceções estão as Lifestyle Spending Accounts (LSA), o acesso a medicamentos GLP-1 e os subsídios para atividades físicas. A Gartner considera que as organizações podem substituir programas pouco utilizados por soluções financeiras mais flexíveis, permitindo aos trabalhadores escolher os apoios que melhor respondem às suas necessidades. A terceira prioridade identificada está relacionada com os custos dos cuidados de saúde nos Estados Unidos. Os trabalhadores valorizam particularmente benefícios que reduzam a exposição a despesas médicas inesperadas e ajudem a controlar custos de saúde recorrentes. Perante esta mudança de prioridades, a Gartner recomenda que os responsáveis de Recursos Humanos revejam os investimentos em remuneração e benefícios, concentrando os recursos nas áreas que oferecem maior previsibilidade financeira e respondem às atuais preocupações dos trabalhadores. |