Estudo da Sesame HR revela que 87,8% das empresas portuguesas já utilizam inteligência artificial em recursos humanos, mas faltam políticas claras e confiança nas decisões automatizadas
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A utilização de Inteligência Artificial (IA) nos departamentos de Recursos Humanos (RH) em Portugal está a crescer rapidamente, mas a maioria das organizações ainda não definiu claramente o papel da tecnologia nas decisões críticas relacionadas com pessoas. A conclusão surge no mais recente estudo da Sesame HR, que reuniu contributos de 535 profissionais de RH. Segundo os dados divulgados, 87,8% das empresas portuguesas já utilizam IA nos seus processos de recursos humanos. No entanto, mais de metade fazem-no de forma pontual ou experimental, enquanto apenas cerca de 34% indicam uma utilização estruturada e integrada nos processos organizacionais. O estudo mostra que a adoção da IA está concentrada sobretudo em tarefas operacionais e de suporte. Cerca de 85% dos profissionais recorrem à tecnologia para redação de conteúdos, como descrições de funções ou comunicações internas, enquanto aproximadamente 33% utilizam IA para triagem de currículos. Já em áreas mais sensíveis, como avaliação de desempenho, despedimentos ou decisões estratégicas, a adoção continua reduzida. Mais de metade dos profissionais afirma não confiar na utilização de IA em processos disciplinares ou despedimentos, e cerca de 43% demonstra reservas relativamente ao seu uso em decisões estratégicas. Entre os principais fatores de desconfiança surgem a falta de contexto humano, o potencial enviesamento dos resultados e as implicações éticas associadas à automatização das decisões. O estudo evidencia também fragilidades ao nível da governance. Apenas 18,4% das organizações têm políticas claras para utilização de IA, enquanto 38% ainda estão a desenvolver regras internas e 30% não possuem qualquer política definida. Além disso, 21,8% admite não ter processos claros de validação humana das decisões suportadas por inteligência artificial. Apesar da crescente digitalização, os profissionais continuam a valorizar competências humanas como pensamento crítico, inteligência emocional, empatia, liderança e mediação de conflitos, consideradas difíceis de automatizar. Para Tiago Santos, Vice-Presidente de Comunidade e Crescimento da Sesame HR, o mercado vive um momento de transição entre a experimentação tecnológica e uma utilização mais madura da IA. “As empresas já utilizam estas ferramentas no dia a dia, mas ainda não definiram claramente o seu papel na tomada de decisão, sobretudo quando estão em causa decisões que impactam diretamente as pessoas”, afirma. O estudo foi desenvolvido em parceria com entidades como a Método, Pact for Mental Health in the Workplace, The Square, HR Europe Week, Code for All e Teamtailor, e pretende promover a reflexão sobre o equilíbrio entre tecnologia, ética e gestão de pessoas nas organizações. |