Estudo da Gartner revela que 47% dos gestores trabalham mais e a tendência aponta para foco crescente na performance
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Quase metade dos gestores afirma estar a trabalhar mais do que há um ano, segundo um estudo da Gartner, que destaca uma mudança no equilíbrio entre gestão de pessoas e foco em resultados. De acordo com a análise, baseada em inquéritos a cerca de três mil profissionais, 47% dos gestores consideram que as expectativas aumentaram, exigindo maior esforço no desempenho das suas funções. Apesar desta pressão, 66% indicam que a principal responsabilidade continua a ser a gestão das equipas, em detrimento do cumprimento de objetivos organizacionais. Em média, os gestores dedicam cerca de um quarto do seu tempo a lidar com questões pessoais e emocionais dos colaboradores. Este cenário reflete uma herança do período pós-pandemia, em que o foco na experiência do colaborador e na retenção ganhou prioridade. No entanto, o contexto atual, marcado por incerteza económica, adoção de Inteligência Artificial e volatilidade geopolítica, está a recentrar as prioridades na produtividade e nos resultados. O estudo indica que gestores orientados para a performance têm mais probabilidade de cumprir objetivos, com uma diferença de 20% face a abordagens centradas exclusivamente nas pessoas. Além disso, colaboradores com este tipo de liderança reportam maior satisfação no trabalho. A Gartner identifica também desafios na eficácia da gestão. Apenas 39% dos colaboradores consideram que recebem feedback claro e útil, e 41% afirmam que os seus gestores os ajudam a definir prioridades. Para responder a estas lacunas, a organização recomenda uma mudança para um modelo de gestão centrado na performance, apoiado por formação em competências operacionais, integração de ferramentas de IA e melhor gestão de recursos. O estudo sugere ainda que as organizações devem ajustar expectativas relativamente à satisfação dos colaboradores, reconhecendo que algum nível de insatisfação é inevitável em períodos de transformação. Por fim, a Gartner alerta para a necessidade de reforçar a objetividade dos gestores, evitando decisões influenciadas por relações pessoais e alinhando a gestão com os objetivos globais das organizações. A evolução do papel dos gestores reflete a necessidade de equilibrar empatia e desempenho, num contexto em que as exigências organizacionais continuam a aumentar. |