Um estudo da Aon revela que 98% das empresas portuguesas acredita que a inteligência artificial vai criar novas oportunidades, mas persistem lacunas na qualificação e gestão de talento
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A Aon divulgou os resultados do “Human Capital Trends Study”, que mostram um elevado grau de confiança das organizações portuguesas no potencial da Inteligência Artificial (IA), mas também desafios significativos ao nível da preparação das pessoas e da maturidade das estratégias de Recursos Humanos. Segundo o estudo, 98% das empresas em Portugal considera que a IA vai criar novas oportunidades e exigir novas competências nas respetivas áreas de atividade, um valor superior à média global de 86%. A adaptabilidade e a gestão da mudança surgem como as competências consideradas mais importantes para o sucesso organizacional nos próximos três anos, refletindo a crescente importância das capacidades humanas num contexto de transformação tecnológica acelerada. A investigação mostra ainda que 72% das organizações portuguesas já implementou ou está a testar soluções de IA, um resultado muito próximo da média global de 73%, demonstrando que a tecnologia já está presente na maioria das empresas. Apesar disso, a preparação das equipas continua a revelar fragilidades. Em 17% das empresas portuguesas, nenhum colaborador participou em iniciativas de requalificação ou formação relacionadas com IA durante os últimos 12 meses. “Os dados mostram que, em Portugal, a IA está a ganhar velocidade, mas nem sempre acompanhada pela preparação das pessoas. O verdadeiro desafio não está na tecnologia, está na forma como capacitamos quem a usa”, afirma, em comunicado, Nuno Abreu, Head of Human Capital da Aon Portugal. O estudo destaca igualmente dificuldades na atração e retenção de talento especializado. Apenas 24% das organizações portuguesas considera conseguir recrutar e manter profissionais com competências em IA, um resultado alinhado com a média internacional. Por outro lado, 84% das empresas acredita que a IA irá automatizar determinadas tarefas, mas sem eliminar a necessidade das funções atualmente existentes, reforçando a perspetiva de transformação dos postos de trabalho em vez da sua substituição generalizada. A Aon identifica também desafios ao nível da utilização estratégica de dados de Recursos Humanos. Apenas 30% das organizações nacionais afirma possuir um elevado nível de maturidade de dados em RH, abaixo dos 38% registados globalmente. No que respeita à proposta de valor para os colaboradores (EVP), apenas 17% das empresas portuguesas refere ter uma estratégia claramente definida e compreendida pelos trabalhadores, face aos 19% registados a nível mundial. Segundo Nuno Abreu, as organizações que conseguirem alinhar investimento em tecnologia com desenvolvimento de competências e utilização estratégica dos dados estarão mais bem preparadas para transformar a IA em desempenho, resiliência e vantagem competitiva. O “Human Capital Trends Study” recolheu contributos de 2.361 membros de conselhos de administração, executivos e responsáveis de Recursos Humanos em 62 países, entre novembro de 2025 e janeiro de 2026. |