Apesar do aumento do investimento em Inteligência Artificial, seis em cada dez empresas admitem não obter benefícios financeiros significativos, segundo um estudo da Boston Consulting Group
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A maioria das empresas continua sem conseguir transformar os investimentos em Inteligência Artificial (IA) em resultados financeiros concretos. Segundo o estudo “How Leaders Build an AI-First Cost Advantage”, da Boston Consulting Group (BCG), 60% das organizações capturam pouco ou nenhum valor da IA, apesar de duas em cada três já investirem pelo menos 1,7% da sua receita nesta tecnologia. Os insights apresentados, que têm por base o estudo“How Leaders Build an AI-First Cost Advantage” , e assentam numa amostra 1.250 respostas fornecidas no âmbito do BCG Build for the Future 2025 Global Study, lançado em setembro de 2025, concluem que a principal diferença entre as organizações líderes e as restantes não está na tecnologia utilizada, mas na forma como a IA é integrada na transformação dos processos de negócio e da estrutura operacional. De acordo com a BCG, as empresas mais avançadas na adoção de IA conseguem reduções de custos três vezes superiores às dos seus concorrentes, registam margens operacionais 1,6 vezes mais elevadas e apresentam um retorno sobre o capital investido 2,7 vezes superior. A consultora alerta ainda que apenas cerca de 30% do impacto de uma implementação de IA resulta da tecnologia em si. Os restantes 70% dependem da capacidade das organizações para redesenhar processos, reorganizar equipas e assegurar que os ganhos de eficiência se traduzem em melhorias efetivas da demonstração de resultados. Quatro prioridades para gerar valorO estudo identifica quatro áreas críticas para transformar a IA numa vantagem competitiva. A primeira passa por concentrar os investimentos em casos de uso onde a tecnologia já demonstra resultados concretos. A função de compras é apontada como um dos exemplos mais maduros, permitindo gerar poupanças entre 5% e 25% na gestão de fornecedores e entre 5% e 15% na otimização de inventários. O mesmo potencial verifica-se em áreas como marketing, desenvolvimento de software, apoio ao cliente e finanças. A segunda prioridade consiste em redesenhar processos, em vez de apenas automatizar tarefas existentes. A BCG refere o caso de uma empresa global de bens de consumo que implementou ferramentas de IA generativa para apoiar atividades de marketing, reduzindo até 90% o tempo dedicado a tarefas rotineiras e duplicando a qualidade dos conteúdos produzidos. A consultora destaca ainda o potencial da IA agêntica para automatizar processos complexos. Entre os exemplos apresentados estão uma empresa de bens de consumo que reduziu entre 25% e 40% o tempo necessário para executar processos críticos, um construtor naval que diminuiu os custos de engenharia em 45% e uma seguradora que aumentou em 35% a eficiência do apoio ao cliente. O estudo refere igualmente o caso da IBM, que reduziu os seus custos operacionais anuais em mais de 4,5 mil milhões de dólares, com 90% dos pedidos de recursos humanos a serem tratados por um chatbot. Por fim, a BCG sublinha que cada iniciativa de IA deve estar diretamente associada a objetivos financeiros concretos, permitindo medir o impacto nas contas da empresa e decidir de que forma a capacidade libertada será utilizada. “Para muitas empresas, o desafio já não é identificar casos de uso, mas transformar eficiência potencial em resultados financeiros consistentes. Isso exige escolhas estratégicas claras: onde atuar primeiro, que processos redesenhar, como libertar capacidade para áreas de maior valor e que mecanismos criar para garantir que os ganhos se concretizam. É essa capacidade de execução que vai distinguir as empresas mais avançadas na próxima fase da adoção de IA”, afirma José Ferreira, Managing Director e Partner da BCG em Lisboa. A consultora conclui que a janela para construir uma vantagem competitiva baseada na IA continua aberta, mas alerta que as empresas que conseguirem transformar rapidamente os primeiros ganhos de eficiência em novas vagas de investimento estarão mais bem posicionadas para acelerar a adoção da tecnologia e reforçar a sua competitividade. |