Estudo aponta a inteligência artificial como o principal foco em 2026 para os executivos de recursos humanos. A adoção está a crescer, mas a escala continua limitada
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A Inteligência Artificial (IA) e a digitalização do trabalho são as principais prioridades dos responsáveis de recursos humanos (CHRO) em 2026, segundo um estudo da CHRO Association em parceria com a University of South Carolina. O relatório indica que 91% dos líderes de RH colocam a IA no topo das suas preocupações, num contexto marcado por instabilidade geopolítica, inflação e incerteza regulatória. Tim Bartl, CEO da CHRO Association, refere que os CHRO são chamados a reforçar a resiliência organizacional enquanto modernizam os modelos de trabalho, com a convergência entre pessoas e tecnologia a ganhar relevância estratégica. A adoção de IA nas funções de RH está a começar pelas áreas com impacto mais imediato. Destacam-se a aquisição de talento e automação de recrutamento (cerca de 30%), serviços de RH e self-service para colaboradores (17%) e desenvolvimento de competências (14%). O estudo aponta também para uma transformação do modelo operacional de RH, com maior digitalização, automatização de tarefas rotineiras e evolução do papel dos parceiros de negócio. Surgem ainda novas competências, como governação de IA e definição de roadmaps tecnológicos. Apesar da adoção crescente, os principais obstáculos são organizacionais e não tecnológicos. Entre os desafios mais referidos estão o receio de perda de emprego por parte dos colaboradores (19%), limitações orçamentais (17%) e preocupações com dados, segurança e Compliance (17%). A medição do impacto da IA continua numa fase inicial. Cerca de 47% das organizações indicam não ter ainda métricas claras de produtividade associadas à utilização destas tecnologias. Entre os fatores externos que mais influenciam o planeamento para 2026, os CHROs destacam a instabilidade geopolítica (46%), a incerteza económica impulsionada pela inflação (42%), a incerteza legal e regulatória (39%) e o impacto de tarifas adicionais (35%). O estudo baseia-se em respostas de cerca de 150 CHRO de grandes organizações e reflete uma crescente necessidade de equilibrar investimento em tecnologia com gestão de risco e adaptação organizacional. |