Recursos humanos ganham peso estratégico nas empresas

Estudo da BCG revela que 65% dos líderes veem os RH como motor de transformação, mas Portugal ainda mostra lacunas em competências críticas

Recursos humanos ganham peso estratégico nas empresas

 O estudo Creating People Advantage 2026, da Boston Consulting Group (BCG), revela que os Recursos Humanos estão a assumir um papel cada vez mais estratégico nas organizações, com 65% dos líderes empresariais a considerarem esta função um motor direto de transformação e criação de valor.

O inquérito, que recolheu mais de sete mil respostas em 115 mercados, indica que empresas com funções de RH mais desenvolvidas apresentam melhores resultados, incluindo menor rotatividade e maior rapidez no preenchimento de posições críticas, até menos 17 a 18 dias face à média.

A função de RH está também mais próxima da liderança executiva, com os responsáveis da área a colaborarem diretamente com CEO e equipas de gestão para alinhar a estratégia de talento com os objetivos de negócio e apoiar processos de transformação.

Apesar da crescente adoção de Inteligência Artificial, o impacto ainda é desigual. Cerca de 70% das organizações já utilizam IA generativa, sobretudo em áreas como recrutamento, formação e reporting. No entanto, apenas 38% consideram que esta tecnologia tem atualmente um impacto estratégico elevado, sendo as preocupações com privacidade e conformidade apontadas como principais entraves.

A gestão de talento baseada em competências ganha relevância, mas a implementação continua limitada. Apenas 54% das empresas utilizam sistemas de correspondência entre competências e funções e 48% dispõem de programas estruturados de requalificação. No total, apenas 11% afirmam ter uma abordagem plenamente integrada.

Em Portugal, os resultados mostram um foco ainda centrado na estrutura e eficiência operacional dos RH, com menor ênfase em áreas mais transformadoras, como o desenvolvimento de competências e a gestão de desempenho.

Eduardo Bicacro, managing director da BCG em Lisboa, destaca que o verdadeiro diferencial competitivo estará na capacidade de desenvolver competências críticas e gerir talento de forma consistente, num contexto de crescente exigência tecnológica.

Também Generosa do Nascimento, presidente da APG, sublinha a importância do estudo como referência para apoiar decisões estratégicas na gestão de pessoas, num momento em que o papel dos RH é determinante para a competitividade.

Num mercado de trabalho cada vez mais global e dinâmico, o estudo conclui que alinhar a estratégia de pessoas com os objetivos de negócio será essencial para garantir crescimento sustentável e capacidade de adaptação das organizações.

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