Um estudo da Gartner revela que poucos responsáveis de compras acreditam estar preparados para redesenhar funções e processos para a era da IA
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A maioria dos responsáveis de procurement continua sem confiança na capacidade das suas organizações para adaptar funções e processos à Inteligência Artificial (IA), segundo um novo estudo da Gartner. De acordo com a consultora, apenas 36% dos Chief Procurement Officers (CPO) inquiridos afirmam estar “muito confiantes” na capacidade de redesenhar as operações de procurement em torno da IA. O inquérito, realizado entre janeiro e fevereiro de 2026 junto de 101 CPO, revela que os ganhos individuais de produtividade proporcionados pela IA generativa ainda não estão a traduzir-se em melhorias organizacionais mais amplas. A Gartner descreve este fenómeno como o “paradoxo da produtividade da IA”. Segundo Fareen Mehrzai, Senior Director Analyst da Gartner, “as equipas de procurement estão a registar ganhos de produtividade com IA generativa, mas sem um redesenho intencional das funções e processos esses ganhos permanecem confinados ao nível individual”. O estudo indica que as melhorias atuais se concentram sobretudo em poupança de tempo, aumento do volume de trabalho realizado e melhoria da qualidade das tarefas executadas. No entanto, esses benefícios diminuem significativamente quando analisados ao nível das equipas ou da organização. A Gartner considera que muitas empresas continuam a medir produtividade com métricas desajustadas da realidade da IA, focando-se apenas em eficiência operacional. Para maximizar o retorno do investimento em IA, a consultora recomenda que os responsáveis de procurement redesenhem funções em torno da colaboração entre humanos e IA. Entre as recomendações estão a separação entre tarefas “naturalmente humanas” e tarefas “nativas de IA”, a redefinição de métricas de produtividade e o alinhamento dos investimentos em IA com objetivos financeiros concretos, como otimização de custos e crescimento de receitas. “As métricas tradicionais de produtividade estão cada vez mais desalinhadas com uma função de procurement moderna e suportada por IA”, acrescenta Mehrzai. A Gartner defende ainda que os profissionais humanos deverão assumir funções mais estratégicas, cognitivas e criativas, enquanto a IA ficará responsável pelas tarefas mais repetitivas e automatizáveis. Segundo a consultora, a evolução das equipas de procurement dependerá da capacidade das organizações para transformar modelos operacionais e não apenas adicionar ferramentas de IA aos processos existentes. |