Quase metade das empresas falhou objetivos de crescimento em 2025. IA e instabilidade global estão a dificultar a execução
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Cerca de 42% das empresas falharam as suas metas de crescimento em 2025, o valor mais elevado dos últimos anos, num contexto marcado pela instabilidade geopolítica e pela dificuldade em escalar iniciativas de Inteligência Artificial (IA), segundo um estudo da Bain & Company. O relatório “B2B Growth Agenda 2026”, baseado num inquérito a mais de 1.100 executivos de empresas B2B a nível global, indica um agravamento face a 32% em 2024 e 33% em 2023. Apesar deste cenário, o estudo revela um elevado nível de confiança no futuro, já que 91% dos executivos acreditam que vão cumprir as metas em 2026, antecipando um crescimento de receitas cerca de 20% superior ao registado anteriormente. A Bain identifica tendências semelhantes no mercado português, onde as empresas continuam a enfrentar desafios na adoção e, sobretudo, na escalabilidade da IA, bem como na adaptação dos modelos comerciais a um ambiente mais volátil. Segundo João Valadares, partner da Bain & Company, refere que “a volatilidade deixou de ser conjuntural e passou a ser estrutural”. “Muitas empresas continuam com modelos comerciais desajustados face à velocidade do mercado e da tecnologia”, aponta o responsável. O impacto não é uniforme entre setores, com a saúde e as ciências da vida sob pressão nos preços, enquanto tecnologia, media e telecomunicações enfrentam dificuldades na aquisição e retenção de clientes. Já na banca, a prioridade centra-se na produtividade comercial e na modernização das capacidades de go-to-market. Apesar da adoção generalizada de IA, presente em cerca de 90% das empresas, aproximadamente 60% admitem não ter infraestruturas de dados ou tecnologia suficientemente preparadas para escalar estas soluções, limitando o seu impacto. O estudo conclui que as organizações com melhor desempenho são aquelas que conseguem integrar a IA nos processos comerciais do dia a dia, alcançando níveis superiores de crescimento e eficiência de custos, reforçando a necessidade de uma abordagem mais estruturada e transversal à tecnologia. |