“Crescemos precisamente em complexidade”

Em entrevista à IT Insight, Melissa Mulholland, co-CEO da SoftwareOne, abordou temas como a soberania digital, inteligência artificial, o papel crescente de Portugal no mapa tecnológico global e o que espera da próxima era da economia da inteligência

“Crescemos precisamente em complexidade”

A SoftwareOne é um fornecedor global de software e serviços tecnológicos com presença em dezenas de países. Para Melissa Mulholland, co-CEO da empresa, o modelo de negócio da empresa “consiste em aconselhar o cliente em todo o seu portfólio de IT” e ajudá-los “a determinar o que comprar, como gerir custos e também como implementar e avaliar as suas necessidades de cloud e de Inteligência Artificial (IA) em geral”.

Segundo a responsável, a empresa posiciona-se como um parceiro estratégico que acompanha o cliente em cada fase da decisão tecnológica, desde a aquisição até à implementação e otimização.

A Europa e a soberania digital

Num momento em que a autonomia tecnológica voltou a estar no centro da agenda política e empresarial europeia, “a cloud soberana está a tornar-se num tema cada vez mais presente”, afirma. O setor público, a banca e as instituições financeiras são os espaços onde essa tendência é mais evidente, ainda que, ressalva, sem “uma mudança dramática de um dia para o outro”.

Quanto à emergência de alternativas europeias aos grandes hyperscalers americanos, a co-CEO observa “mais viabilidade nos fornecedores de cloud europeus para apoiar clientes, sejam grandes empresas ou pequenos negócios”. No entanto, “ainda é cedo, e as empresas estão a avaliar a facilidade da transição porque mudar de um hyperscaler baseado nos EUA não é simples”.

A sua previsão aponta para um modelo multi-híbrido em que as organizações vão começar a diferenciar cada vez mais os workloads, ao colocar determinadas cargas de trabalho em fornecedores europeus e mantendo outras nos grandes players globais.

Entre o entusiasmo e a maturidade da IA

A adoção da inteligência artificial pelas empresas ainda está longe de ser uma realidade transversal. Devido aos custos elevados e aos investimentos avultados, a responsável admite que “vai levar algum tempo para que as empresas realmente percebam como usar a IA de uma forma efetiva para o seu negócio”.

Para a SoftwareOne, os novos desafios trazidos pela IA generativa são sobretudo uma oportunidade de expansão. Melissa Mulholland explica que “a rede de valor que construímos vai expandir-se” para além da gestão de custos de cloud e IT, incorporando o que designa de “economia da inteligência”.

À medida que as organizações aumentam o consumo de modelos de IA, surgem novas necessidades de gestão, otimização e governação, e é precisamente aí que, afirma, “a SoftwareOne está muito bem posicionada porque crescemos precisamente em complexidade”.

Portugal no mapa

Portugal está no centro da estratégia da SoftwareOne depois da aquisição da Crayon em 2025 e não mostra sinais de abrandar. “Portugal é um futuro importante”, afirma a co-CEO da empresa. É no talento e nas competências técnicas onde vê “uma força real”, sendo “um núcleo para o investimento contínuo das empresas”, acrescenta.

Na encruzilhada entre a Europa, a América Latina e África, Portugal “está muito bem posicionado”, assumindo-se como um importante fator de atratividade. Segundo a responsável, essa é “uma das razões pelas quais investimos aqui há 12 anos e queremos continuar a investir”.

A expansão dos centros de dados no país, impulsionada pelos investimentos anunciados por empresas como Google, AWS e Microsoft, é vista como um acelerador desta tendência e uma demonstração evidente de que “há uma grande vantagem em Portugal”. Foi neste contexto que a entrevista decorreu, na semana em que a SoftwareOne reuniu em Lisboa 200 colaboradores de várias partes do mundo para reconhecer os seus melhores talentos globais.

“Não tenham medo de tomar essa decisão. Têm a capacidade de serviço baseada na vossa experiência aqui, e essa experiência é válida noutros mercados onde há uma necessidade real”, diz, ao dirigir-se aos empresários portugueses que pensam em internacionalizar-se.

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