Apesar da elevada cobertura de fibra, 23% dos utilizadores portugueses com ligações de alta velocidade continuam a enfrentar atrasos e interrupções semanais na Internet
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Portugal registou avanços significativos na disponibilização de ligações de fibra de alta velocidade, mas a qualidade da experiência online continua a ser um desafio para muitos utilizadores. Um estudo nacional realizado pela Netsonda para a DE-CIX conclui que o principal problema já não é a velocidade de acesso, mas sim a estabilidade das ligações. Segundo o estudo, realizado junto de 600 utilizadores de Internet com ligações Fiber-to-the-Home (FTTH), 81% dos inquiridos considera que uma maior velocidade melhora a experiência online. No entanto, continuam a verificar-se situações frequentes de latência, bloqueios, buffering e pequenas quebras de ligação, mesmo em acessos de elevada velocidade. Os dados mostram que 22% dos portugueses sentem atrasos na Internet pelo menos uma vez por semana. Entre os utilizadores com pacotes de 500 Mbps ou superiores, a percentagem sobe para 23%, revelando que a velocidade, por si só, não elimina os problemas de desempenho. Durante os sete dias anteriores ao inquérito, 51% dos participantes encontraram páginas ou aplicações lentas a carregar, 46% registaram pequenas falhas de ligação, 36% tiveram problemas em serviços de streaming e 33% reportaram interrupções de vídeo ou áudio durante chamadas pessoais, profissionais ou escolares. Para Ivo Ivanov, CEO da DE-CIX, o desafio atual passa por garantir uma experiência de utilização consistente. “Portugal resolveu, em grande parte, o desafio da velocidade. O próximo desafio é a qualidade da experiência”, afirma o responsável, destacando que aplicações em tempo real, serviços na cloud, streaming e ferramentas baseadas em inteligência artificial exigem ligações cada vez mais estáveis e fiáveis. A estabilidade surge mesmo como a principal expectativa dos consumidores quando optam por pacotes de Internet mais rápidos. Cerca de 53% dos inquiridos indicam uma ligação mais estável como principal benefício esperado, seguida da melhoria do desempenho com múltiplos dispositivos ligados em simultâneo (51%). Os downloads mais rápidos surgem apenas em terceiro lugar, referidos por 42% dos participantes. O estudo revela ainda um desalinhamento entre as expectativas e a realidade. Apenas 25% dos utilizadores considera que a qualidade da Internet corresponde totalmente ao serviço contratado. Embora 66% reconheça melhorias após a atualização para pacotes de maior velocidade, 13% afirma que os problemas persistem ou que não registou qualquer benefício. Quando questionados sobre as causas dos problemas de conectividade, 39% dos inquiridos responsabiliza os operadores de telecomunicações, enquanto 28% aponta o congestionamento geral da Internet. Quase metade dos participantes (45%) mostrou-se surpreendida ao descobrir que muitos dos problemas de desempenho estão relacionados não apenas com a velocidade contratada, mas também com fatores como o encaminhamento de tráfego e a interligação entre redes. A DE-CIX conclui que, à medida que os serviços digitais se tornam mais interativos e dependentes de resposta em tempo real, aspetos como latência, eficiência de encaminhamento e qualidade da interligação entre redes assumem um papel determinante na experiência dos utilizadores. |