IA com agência expõe fragilidades nas infraestruturas empresariais

Maioria das organizações afirma que precisa de modernizar as suas infraestruturas para suportar IA com agência em produção, segundo um novo relatório da Google Cloud

IA com agência expõe fragilidades nas infraestruturas empresariais
Studio KN / AdobeStock

A maioria das organizações ainda não dispõe de infraestruturas preparadas para suportar Inteligência Artificial (IA) com agência em ambiente de produção. A conclusão consta do relatório State of AI Infrastructure, da Google Cloud, baseado num inquérito a mais de 1.400 responsáveis de IT, que revela que 83% dos líderes de IT consideram necessárias atualizações tecnológicas para responder às exigências desta nova geração de sistemas autónomos.

O estudo aponta para um desfasamento crescente entre a ambição das empresas em torno da IA e a capacidade das suas infraestruturas. Ao contrário da IA conversacional, os agentes de IA executam tarefas de forma autónoma, desencadeando múltiplas ações e exigindo maior capacidade de processamento, memória e governação.

Um dos principais desafios identificados é o chamado “imposto da inferência”. Segundo o relatório, 62% dos inquiridos já registam custos significativos associados à inferência, motivados por taxas de transferência de dados, armazenamento e hardware especializado subutilizado. Além disso, 81% apontam a complexidade operacional como um dos maiores entraves à escalabilidade da IA.

Para responder a estas limitações, a Google Cloud defende uma abordagem baseada em fluid compute, que permite alocar dinamicamente diferentes tipos de processadores – CPU, GPU e TPU – consoante a natureza de cada carga de trabalho.

A proliferação de agentes autónomos levanta igualmente novos desafios de governação. Cerca de 79% dos líderes tecnológicos identificam a segurança, a governação e as operações de machine learning (MLOp) como o principal obstáculo à expansão da IA. O relatório recomenda a criação de um plano de controlo centralizado que permita gerir permissões, identidades e fluxos de trabalho, garantindo simultaneamente mecanismos de auditoria e supervisão humana.

Prioridades na hora de investir

Os dados assumem igualmente um papel central. A Google Cloud alerta que agentes de IA dependem de acesso contínuo a informação distribuída por múltiplos sistemas, tornando essencial a adoção de uma camada unificada de dados capaz de eliminar silos e disponibilizar contexto de negócio de forma consistente.

A arquitetura híbrida continua também a ganhar relevância. Mais de metade das organizações (52%) já utiliza modelos híbridos multicloud e 48% privilegiam infraestruturas com controlos rigorosos de residência dos dados, refletindo a crescente importância da soberania digital e dos requisitos regulamentares.

A computação na edge é outra prioridade. Nove em cada dez organizações consideram as implementações edge importantes para as suas iniciativas de IA e 72% classificam-nas como muito importantes. Entre os principais benefícios destacam-se a redução da latência, a continuidade operacional em ambientes sem ligação permanente à cloud e a diminuição dos custos associados ao processamento contínuo.

O consumo energético surge igualmente como um fator determinante nas decisões de investimento. O estudo indica que 91% dos líderes já consideram a eficiência energética na seleção de hardware e 61% classificam este critério como prioritário, refletindo a crescente pressão sobre custos operacionais, capacidade elétrica disponível e requisitos regulamentares.

Perante este cenário, a Google Cloud defende uma infraestrutura integrada e otimizada para IA, onde computação, armazenamento, rede e software são concebidos de forma conjunta para suportar cargas de trabalho de IA com agência de forma mais eficiente e escalável.

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