Europa investe 47,5 milhões no desenvolvimento da Internet quântica

A Quantum Internet Alliance entra numa nova fase de investigação para criar uma rede quântica programável e testar a interligação de duas redes metropolitanas através de repetidores quânticos

Europa investe 47,5 milhões no desenvolvimento da Internet quântica
WU / AdobeStock

A Quantum Internet Alliance (QIA) recebeu 47,5 milhões de euros da Comissão Europeia para avançar com o desenvolvimento de um protótipo completo de Internet quântica e preparar a tecnologia para futuras implementações em ambientes reais.

O financiamento suporta os próximos 42 meses de investigação e desenvolvimento e dá continuidade à primeira fase do projeto, que decorreu entre outubro de 2022 e março de 2026. Nesse período, o consórcio trabalhou na integração de hardware, software e tecnologias de rede, criando os componentes tecnológicos necessários para desenvolver um protótipo de rede quântica.

A nova etapa terá como prioridade integrar estes elementos numa infraestrutura completa e programável, capaz de executar aplicações sobre uma rede quântica. Um dos principais objetivos técnicos será demonstrar a interligação de duas redes quânticas de escala metropolitana através de uma ligação de fibra de longa distância.

Para isso, a QIA pretende utilizar repetidores quânticos, uma das tecnologias consideradas necessárias para aumentar a distância das comunicações e permitir a futura criação de redes quânticas de maior dimensão.

“Nos últimos anos, desenvolvemos os principais componentes de uma Internet quântica. A nossa missão nesta próxima fase é integrar estes componentes num protótipo full-stack”, afirma Stephanie Wehner, diretora da Quantum Internet Alliance, em comunicado. Segundo a responsável, o consórcio pretende desenvolver um protótipo que integre as diferentes camadas necessárias ao funcionamento da rede, em vez de testar isoladamente os vários componentes.

A nova fase deverá também dar os primeiros passos na transição das tecnologias de redes quânticas da investigação laboratorial para utilizações em ambientes reais. O programa prevê preparativos iniciais para futuras instalações-piloto de Internet quântica e para infraestruturas de acesso aberto destinadas a investigadores, programadores e empresas.

Em paralelo, a QIA continuará a trabalhar no desenvolvimento de casos de utilização para redes quânticas. Segundo o consórcio, algumas tecnologias criadas durante a primeira fase já deram origem a produtos e a novas startups no ecossistema do projeto. A iniciativa pretende ainda funcionar como uma plataforma de ligação entre diferentes projetos europeus relacionados com a Internet quântica.

Para a QIA, o desafio desta segunda fase não passa apenas pelo desenvolvimento do protótipo. O consórcio considera igualmente necessário criar condições para que startups possam testar casos de utilização, disponibilizar infraestruturas de experimentação e desenvolver um ecossistema europeu capaz de transformar a investigação em produtos e serviços.

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