Apesar de 89% das organizações já identificarem benefícios mensuráveis da inteligência artificial, a maioria continua sem conseguir relacionar sistematicamente os resultados com os custos. O investimento médio previsto para os próximos 12 meses subiu para 187 milhões de euros, com a região EMEA a registar a maior aceleração
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As empresas continuam a aumentar os investimentos em Inteligência Artificial (IA), mas a capacidade de avaliar o retorno económico da tecnologia não está a acompanhar o mesmo ritmo. Segundo o estudo “Global AI Pulse Q3 2026”, da KPMG, 89% das organizações já identificam benefícios mensuráveis da IA, embora apenas 12% consigam avaliar de forma consistente o valor gerado face aos custos associados. Outros 26% realizam esta análise na maioria das iniciativas, mas ainda não a aplicam de forma transversal à organização. O estudo, que reúne as respostas de 2.131 líderes empresariais de 20 países, revela que o investimento médio previsto em IA para os próximos 12 meses aumentou 13% desde o primeiro trimestre de 2026, passando de 165 para 187 milhões de euros por organização. A evolução é particularmente expressiva na região EMEA (Europa, Médio Oriente e África), onde o montante previsto cresceu 29%, de 139 para 180 milhões de euros. Nas Américas, o aumento foi de 7%, enquanto na região Ásia-Pacífico o investimento se manteve praticamente estável. Apesar desta aceleração, persistem dificuldades na medição do retorno. Embora 61% das empresas analisem os custos da IA no momento de aprovação dos investimentos e 59% os acompanhem durante a utilização, a avaliação sistemática da relação entre custos e resultados continua pouco generalizada. Entre as organizações que já apresentam um retorno consolidado dos investimentos em IA, a percentagem que realiza esta análise de forma consistente sobe para 48%, evidenciando uma diferença significativa face ao conjunto das empresas inquiridas. “A inteligência artificial está a entrar numa fase em que a prioridade das empresas deixa de ser apenas a adoção da tecnologia e passa a ser a capacidade de transformar o investimento em resultados concretos e sustentáveis”, afirma Rui Gonçalves, Partner Head of Technology Consulting da KPMG em Portugal, em comunicado. O responsável considera que as organizações precisam de aplicar aos projetos de IA a mesma disciplina financeira e estratégica utilizada noutros investimentos. “Para as empresas portuguesas, o risco não é investir pouco, é investir sem saber o que gera retorno em eficiência, competitividade e capacidade de decisão. Isso exige uma estratégia clara, mecanismos de avaliação do retorno e uma gestão rigorosa dos riscos”, acrescenta. EMEA reduz distância na maturidade da IAA região EMEA está também a aproximar-se das restantes geografias no que respeita à maturidade da adoção de inteligência artificial. Atualmente, 56% das organizações da região encontram-se numa fase de implementação em escala ou mais avançada, face a 40% no primeiro trimestre de 2026. O aumento de 16 pontos percentuais permitiu reduzir a distância relativamente às Américas, onde o indicador se situa nos 64%, e à Ásia-Pacífico, com 61%. Segundo a KPMG, a diferença de maturidade entre as regiões mais e menos avançadas passou de 16 para oito pontos percentuais desde o início do ano. Esta evolução sugere uma maior aproximação entre mercados, embora a capacidade de transformar os investimentos em resultados económicos continue a variar entre organizações. A adoção de agentes de IA está igualmente a ganhar expressão. A percentagem de organizações que reportam uma utilização significativa destas ferramentas pelos colaboradores aumentou de 25% para 34% desde o primeiro trimestre. Em paralelo, 38% das empresas estão a desenvolver ou implementar sistemas multiagente, nos quais diferentes agentes de IA colaboram na execução de tarefas e processos empresariais. Esta evolução está a alterar as prioridades associadas à inteligência artificial. Embora os ganhos de produtividade continuem a ser o principal objetivo, o seu peso relativo diminuiu de 42% para 37% desde o início do ano. Em contrapartida, ganharam importância a colaboração entre pessoas e IA, referida por 32% das organizações, bem como a IA responsável e a governação e a confiança e segurança, ambas com 30%. Cibersegurança e soberania ganham importânciaA crescente integração da inteligência artificial nos processos empresariais está também a levar as organizações a rever os seus modelos de gestão de risco. De acordo com o estudo, 86% das empresas estão a adaptar as operações de cibersegurança para responder às ameaças potenciadas pela IA, através do reforço de políticas, processos e mecanismos de controlo. A preocupação é mais expressiva entre as organizações com maior maturidade na utilização da tecnologia. Entre as empresas que já apresentam um retorno consolidado dos investimentos em IA, 71% incluem a cibersegurança e a proteção de dados nas suas prioridades de investimento. Nas organizações que ainda se encontram numa fase de experimentação, esta percentagem é de 36%. A soberania tecnológica está igualmente a assumir maior relevância. Cerca de 72% das organizações já consideram formalmente questões relacionadas com o controlo dos modelos de IA, dos dados e da propriedade intelectual nas suas decisões. No entanto, apenas 21% dispõem de uma estratégia transversal nesta área, sujeita a revisão regular. Os resultados do estudo “Global AI Pulse Q3 2026” apontam, assim, para uma nova fase na adoção empresarial da inteligência artificial, marcada pela expansão dos investimentos e pela crescente utilização de agentes de IA. Para a KPMG, o desafio passa agora por assegurar que esta evolução é acompanhada por mecanismos de avaliação económica, governação e segurança capazes de demonstrar o valor efetivamente criado pela tecnologia. |