O relatório “Technology Trends Outlook 2026” aponta para uma maior procura de capacidade computacional, semicondutores especializados e cibersegurança. Cinco tendências tecnológicas poderão mais do que duplicar o investimento este ano, mas a adoção empresarial continua a enfrentar desafios
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A expansão da Inteligência Artificial (IA) está a tornar as infraestruturas digitais, os semicondutores especializados e a cibersegurança fatores determinantes para a competitividade das empresas. A conclusão é da sexta edição do relatório “Technology Trends Outlook 2026”, da McKinsey & Company, que analisa 14 tendências tecnológicas e o seu impacto na evolução dos negócios. Segundo a consultora, a próxima fase da IA será marcada pela passagem da experimentação para a utilização em escala, aumentando a dependência de capacidade computacional, energia e conectividade. Esta transformação está também a aproximar diferentes áreas tecnológicas, desde o desenvolvimento de software à robótica e à cibersegurança. Inferência poderá representar até 40% da procura dos data centersUma das principais mudanças identificadas pela McKinsey está relacionada com a crescente importância da inferência, o processo através do qual os modelos de IA geram respostas durante a sua utilização. Até 2030, a inferência poderá representar entre 30% e 40% da procura total dos data centers, impulsionando o desenvolvimento de semicondutores especializados e infraestruturas capazes de assegurar maior eficiência energética e desempenho. A consultora considera que esta evolução está a alterar as prioridades das organizações e dos fabricantes de chips. À medida que a IA passa a integrar processos empresariais quotidianos, a capacidade para executar modelos de forma eficiente torna-se tão relevante como os recursos necessários para os treinar. “À medida que a inteligência artificial passa da experimentação para uma utilização mais generalizada, a infraestrutura necessária para a suportar assume um papel cada vez mais estratégico”, afirma Benjamim Vieira, sócio sénior da McKinsey & Company, em comunicado. O responsável destaca a importância dos semicondutores, da capacidade computacional, da conectividade, da energia e da cibersegurança para transformar os investimentos em IA em resultados concretos. IA aumenta capacidades de defesa e de ataqueA cibersegurança é outra das áreas em transformação. Segundo o relatório, a IA está a permitir às organizações melhorar a deteção de ameaças, automatizar respostas e reforçar a monitorização, mas também está a proporcionar aos atacantes novas capacidades para identificar e explorar vulnerabilidades. A McKinsey refere que mais de três quartos das vulnerabilidades analisadas no âmbito da cibersegurança são classificadas como zero-day, salientando a redução do tempo disponível para as organizações reagirem a novas ameaças. Esta evolução reforça a necessidade de integrar a cibersegurança nas estratégias de adoção de IA, em paralelo com a modernização das infraestruturas e o desenvolvimento de competências técnicas. Cinco tendências podem mais do que duplicar o investimentoO estudo identifica cinco áreas tecnológicas cujo investimento está em trajetória para mais do que duplicar em 2026, face ao ano anterior: desenvolvimento de software com IA com agência, infraestruturas e arquiteturas de IA, IA aplicada à descoberta científica e engenharia, robótica e tecnologias espaciais. Duas destas categorias — desenvolvimento de software com IA com agência e IA aplicada à descoberta científica e engenharia — surgem pela primeira vez como tendências autónomas no relatório. Apesar do crescimento do investimento, a McKinsey identifica um desfasamento entre inovação e adoção empresarial. Mais de 75% das ofertas de emprego associadas às tendências diretamente relacionadas com IA e aos semicondutores especializados continuam concentradas em funções de investigação e desenvolvimento (I&D). Em áreas mais maduras, como cibersegurança, conectividade, mobilidade e energia, mais de metade das oportunidades de emprego já está associada a funções operacionais, comerciais ou de suporte ao negócio, sinalizando uma adoção mais consolidada. Para a McKinsey, estes indicadores demonstram que o desafio das empresas não passa apenas pelo acesso às tecnologias emergentes, mas sobretudo pela capacidade de as integrar nos processos e modelos operacionais. “Embora o relatório tenha uma perspetiva global, as tendências identificadas refletem desafios e oportunidades particularmente relevantes para a Península Ibérica”, acrescenta Benjamim Vieira, destacando a importância do investimento em IA, cibersegurança e infraestrutura digital segura para reforçar a competitividade das organizações. |