A automação e a inteligência artificial estão a mudar as necessidades de talento na indústria. Em Portugal, 88% dos empregadores do setor dizem ter dificuldades em contratar profissionais qualificados
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A transformação tecnológica da indústria está a aumentar a procura por competências técnicas e digitais, ao mesmo tempo que as empresas enfrentam dificuldades na contratação. Segundo o estudo “Tendências do Mundo do Trabalho - Indústria”, divulgado pela Manpower, 88% dos empregadores portugueses do setor indicam ter dificuldades em encontrar profissionais qualificados. A automação dos processos produtivos e a adoção de Inteligência Artificial (IA) estão entre os fatores que estão a alterar as funções existentes. A estas mudanças juntam-se a reorganização das cadeias de abastecimento e a instabilidade económica e geopolítica. Segundo os dados apresentados pela Manpower, 93% dos empregadores industriais consideram que as novas tecnologias vão transformar a sua força de trabalho. Metade prevê reafetar trabalhadores para novas funções, enquanto 42% antecipa contratar novos perfis e 31% admite recorrer a outsourcing. A adoção de IA apresenta, contudo, um ritmo mais lento na indústria do que noutros setores. Apenas 46% dos Chief Information Officers da indústria indicam que os respetivos projetos de IA já chegaram à fase de implementação, comparativamente com 60% na média global dos setores analisados. A mudança também está a criar incerteza entre os profissionais. Cerca de 45% dos trabalhadores do setor receiam que a IA ou a automação possam substituir a sua atual função nos próximos dois anos. Em sentido contrário, 79% acreditam que terão oportunidades para adquirir competências que lhes permitam adaptar-se ao novo contexto. A disponibilidade de competências constitui outro desafio para as organizações. De acordo com o estudo, 60% dos trabalhadores da indústria afirmam não ter recebido formação profissional nos últimos seis meses. Em comunicado, Daniela Lourenço, Brand Leader da Manpower, considera que a evolução tecnológica, o envelhecimento da força de trabalho e as mudanças nas preferências dos profissionais tornam mais relevante o planeamento estratégico das necessidades de talento e o desenvolvimento e requalificação das equipas. O contexto económico e geopolítico acrescenta outras variáveis às decisões empresariais. Tensões comerciais, custos energéticos e perturbações nas cadeias de abastecimento estão a levar organizações a rever modelos de produção, logística e investimento. O estudo identifica ainda o reshoring como uma tendência com impacto na procura de profissionais. A aproximação da produção aos mercados finais pode criar novas necessidades de talento especializado nas geografias onde são instaladas unidades produtivas. Em paralelo, as condições económicas e energéticas podem atrasar decisões de investimento e contratação. Apesar destas pressões, 82% dos empregadores industriais abrangidos pelos dados apresentados pela Manpower planeiam aumentar ou manter os seus efetivos. Neste cenário, a identificação antecipada de funções críticas e competências emergentes, juntamente com iniciativas de upskilling e reskilling, deverá assumir maior peso no planeamento das organizações industriais. |