Falhas básicas de segurança ainda persistem nas PME

A Eset alerta que a inteligência artificial está a acelerar a atividade dos cibercriminosos, mas as principais causas dos incidentes nas PME continuam a ser phishing, vulnerabilidades por corrigir e palavras-passe fracas

Falhas básicas de segurança ainda persistem nas PME
ty / AdobeStock

A Inteligência Artificial (IA) está a transformar as ferramentas utilizadas pelos cibercriminosos, permitindo criar campanhas de phishing mais convincentes, automatizar tarefas de reconhecimento e reduzir a barreira de entrada para atacantes menos experientes. No entanto, segundo a Eset, a preparação das pequenas e médias empresas (PME) para enfrentar ciberameaças continua a depender sobretudo da correção de falhas de segurança já conhecidas.

De acordo com o “Eset SMB Cyber Readiness Index 2026”, o malware alimentado por IA é apontado como a principal preocupação das PME para os próximos 12 meses. Ainda assim, a fabricante refere que os casos de malware verdadeiramente baseado em IA continuam a ser raros. Como exemplo, recorda a descoberta, em 2025, de um protótipo de ransomware escrito com recurso a IA e, mais recentemente, do PromptSpy, o primeiro malware para Android conhecido a utilizar IA generativa no seu fluxo de execução para garantir persistência.

Apesar destes casos, a Eset afirma que não encontrou evidências, através do seu serviço Managed Detection and Response (MDR), de incidentes em que a IA generativa tenha desempenhado um papel significativo. Segundo a empresa, os atacantes recorrem à IA sobretudo como ferramenta de apoio, e não para automatizar ataques em tempo real.

Em vez de se concentrarem exclusivamente nas ameaças emergentes, as PME devem continuar a dar prioridade às principais causas dos incidentes de segurança. Os dados da Eset apontam o phishing como a principal ameaça, referido por 26% das empresas e responsável por 30,8% das deteções registadas no segundo semestre de 2025. Seguem-se as vulnerabilidades de segurança por corrigir (23%), a falta de monitorização de segurança (22%) e a utilização de palavras-passe fracas ou reutilizadas (20%).

Segundo a empresa, a IA está sobretudo a aumentar a eficácia destes vetores de ataque. Os cibercriminosos utilizam a tecnologia para produzir mensagens de phishing mais credíveis, incluindo recurso a deepfakes, acelerar a exploração de vulnerabilidades recém-divulgadas, analisar grandes volumes de dados para identificar palavras-passe comuns e realizar ações de reconhecimento de forma mais rápida.

Para reduzir o risco, a Eset recomenda que as PME reforcem processos de gestão de vulnerabilidades e aplicação de correções de segurança, mantenham um inventário atualizado dos ativos tecnológicos e implementem políticas robustas de gestão de identidades. A utilização de gestores de palavras-passe, autenticação multifator (MFA) e ferramentas de Privileged Access Management (PAM) são apontadas como medidas essenciais para reduzir a superfície de ataque.

A empresa defende ainda que organizações com recursos limitados podem beneficiar da adoção de serviços Managed Detection and Response (MDR), permitindo melhorar a monitorização contínua, acelerar a deteção de ameaças e colmatar a escassez de competências especializadas em Cibersegurança.

Para a Eset, a verdadeira preparação para enfrentar ciberameaças passa por prevenir, detetar e responder eficazmente aos ataques. Embora a IA esteja a alterar o panorama das ameaças, a maioria dos incidentes continua a resultar de falhas básicas de segurança que permanecem por resolver.

Tags

NOTÍCIAS RELACIONADAS

RECOMENDADO PELOS LEITORES

REVISTA DIGITAL

IT INSIGHT Nº 62 JULHO 2026

IT INSIGHT Nº 62 JULHO 2026

NEWSLETTER

Receba todas as novidades na sua caixa de correio!

O nosso website usa cookies para garantir uma melhor experiência de utilização.