Investimento significativo em sustentabilidade ainda é um longo caminho para as PME europeias

Estudo revela que a maioria das pequenas e médias empresas ainda não adotou estratégias abrangentes de descarbonização, apesar do potencial para reduzir custos energéticos e emissões de CO₂

Investimento significativo em sustentabilidade ainda é um longo caminho para as PME europeias

As pequenas e médias empresas (PME) europeias continuam a ter um vasto potencial por explorar na transição para modelos mais sustentáveis. A conclusão é de um novo relatório da Solar Impulse Foundation, desenvolvido em parceria com a Schneider Electric, que revela que apenas 11% das PME realizaram investimentos significativos em sustentabilidade.

O estudo, intitulado Unlocking SME Competitiveness in Europe, destaca que a eletrificação e a digitalização podem permitir reduções do consumo energético entre 20% e 30% e diminuir as emissões de CO₂ até 40% em setores-chave da economia. Apesar de 93% das PME já terem adotado pelo menos uma medida de eficiência de recursos, apenas cerca de um quarto implementou estratégias abrangentes de redução de carbono.

A Europa definiu como meta aumentar a taxa de eletrificação de 21,3% para 32% até 2030, um objetivo que exige uma modernização profunda da infraestrutura energética. Atualmente, cerca de 40% da rede elétrica europeia tem mais de 40 anos, sendo necessários investimentos estimados em 584 mil milhões de euros até ao final da década para responder às novas exigências.

Segundo Laurent Bataille, vice-presidente executivo para as operações europeias da Schneider Electric, “o futuro industrial da Europa está numa encruzilhada, sobretudo quando vemos o papel por explorar que as PME podem desempenhar na resolução dos nossos desafios energéticos e no reforço da competitividade. A eletrificação e a digitalização não são ambições; são imperativos. As tecnologias existem – o que importa agora é a sua adoção em larga escala e rapidez na execução. Escalar estas soluções entre as PME vai reforçar a soberania industrial e a competitividade de custos da Europa, reduzir a dependência de energia importada e aumentar a resiliência face a choques globais”.

O relatório sublinha ainda que as PME, devido à sua menor dimensão e reduzido poder de negociação, estão particularmente expostas à volatilidade dos preços da energia. Este contexto reforça a necessidade de políticas públicas de apoio, modelos de negócio inovadores e soluções digitais que ajudem estas empresas a gerir custos e a reforçar a sua competitividade. O crescimento das energias renováveis na Europa, que já ultrapassaram 30% da produção elétrica em 2023, é apontado como um fator-chave para reduzir a exposição a combustíveis fósseis.

A eficiência é o superpoder oculto da Europa. Cada quilowatt-hora poupado, cada fluxo de trabalho otimizado, cada processo mais inteligente, reforçam a nossa competitividade e rentabilidade. A eletrificação e a digitalização não são apenas atualizações técnicas – são instrumentos de transformação e resiliência. Ao adotarem estas soluções, as PME podem fazer mais e melhor com um menor consumo de energia e recursos, reduzir o seu impacto ambiental e desbloquear novas oportunidades de crescimento económico. A eficiência não é um custo; é um investimento valioso”, comentou Bertrand Piccard, Founder & Chairman da Solar Impulse Foundation.

O relatório apresenta várias recomendações para acelerar esta transformação, incluindo a revisão da diretiva europeia de tributação energética para tornar a eletricidade mais competitiva, a simplificação dos processos de licenciamento e ligação à rede, o uso estratégico de fundos públicos para reduzir o risco de investimento e o apoio a modelos colaborativos como Energy-as-a-Service, compras cooperativas e parcerias público-privadas.

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