O C-Days contou com um debate sobre a existência, ou não, de uma verdadeira soberania no ciberespaço e a estratégia nacional para uma cloud soberana
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No primeiro dia do C-Days 2026, houve espaço para um debate sobre a estratégia nacional para uma cloud soberana que juntou Ricardo Simões Santos, da ARTE, Rui Ribeiro, da Universidade Lusófona, e Luís Duarte, da PortugalDC. Ricardo Simões Santos referiu que a estratégia nacional para uma cloud soberana tem relativamente poucos dias – foi publicado no final de maio –, mas “já tem muitos meses de trabalho”. Este plano teve “um grande contributo da sociedade”, como organizações e associações, e “tentou-se criar uma estratégia que enfrenta os desafios que todos nós vivemos”. As organizações públicas e privadas vão ter um desafio para manter os seus dados e informação em território nacional, algo que também faz parte de várias regulamentações que já foram lançadas no passado. Rui Ribeiro diz que esta estratégia é “um passo fundamental” para o que pode ser uma cloud soberana em Portugal, “mas é um pequeno primeiro passo e o mais difícil vem agora”. Assim, o desafio “é estruturar quem controla, quem fiscaliza, quem audita, quem faz a monitorização dos sistemas”. Do ponto de vista prático, “acabámos de comprar um puzzle de cinco mil peças e agora temos de começar a montar. Temos de saber montar e governar estas peças e como é que se pode efetivamente potenciar o mercado nacional – desde os data centers aos integradores – para que possam crescer”. Pegando na analogia do puzzle, Luís Duarte partilhou que “a fotografia que está na caixa é muito bonita, mas temos pouco tempo para a montar. Temos de ter cautela, mas temos de ser ágeis”. Relembrando que já tinha sido publicado a estratégia nacional de data centers, “há uma estratégia para que isto corra bem”. Ricardo Simões Santos explica que este puzzle “está enquadrado num conjunto mais vasto de uma história mais alargada. Este plano de cloud soberana está integrado naquilo que a estratégia digital nacional”. Assim, há um conjunto de investimentos que terá de ser feito pela administração pública para adequar a estratégia nacional de cloud soberana e data center às necessidades. “Tem vindo a ser feito um trabalho muito interessante naquilo que é a responsabilidade, na framework que vai estar em consulta pública e que vai levar a que as organizações entendam os dados que têm”, explica o representante da ARTE. Comparando com “os vizinhos europeus”, Portugal está na linha da frente no que diz respeito a este tipo de estratégia e existe um alinhamento entre o que Portugal está a fazer e o que os outros países europeus já apresentaram. Rui Ribeiro defende que se podem abrir novas vias de negócio com esta estratégia. “Os operadores de data center e os implementadores de tecnologia vão procurar adaptar-se àquilo que é o catálogo de serviços para a administração pública. Há um incentivo do próprio Estado, dando um sinal ao mercado de que vão existir investimentos na digitalização e na transformação digital”, defende. “As empresas vão ter de se adaptar a essas regras e com novos modelos de negócio que farão, ou seja, devemos ter um conjunto de serviços de infraestrutura – e aí é onde estará a maioria dos operadores nacionais –, mas já existem muitos data centers para aquilo que é a realidade portuguesa”, notando que não será necessário o Estado construir um mega data center. Luís Duarte refere que, nos últimos dois anos e meio, tem existido uma grande evolução no mercado de data centers. “Todo este caminho tem tido uma evolução bastante rápida e aquilo que prevemos é que o investimento atinja os 13 mil milhões de euros até 2030”, citando um estudo da PortugalDC, admitindo que este valor já está desatualizado e será, certamente, maior. “É uma oportunidade bastante boa. A administração pública não precisa de construir o data center de raiz; existem players perfeitamente capazes de responder aos requisitos que podem vir a ser colocados. É uma perfeita oportunidade para escolher o melhor player para ter uma cloud soberana”, explica o representante da PortugalDC.
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