Um estudo da Cognizant e da Pearson revela que 94% dos responsáveis de recursos humanos acreditam que a inteligência artificial irá criar novas funções de entrada no mercado de trabalho
|
A Inteligência Artificial (IA) está a transformar rapidamente o mercado de trabalho e a redefinir o papel das funções de entrada nas organizações. Apesar dos receios sobre a substituição de trabalhadores, a maioria dos líderes de recursos humanos acredita que a tecnologia irá criar novas oportunidades profissionais para quem inicia a carreira. A conclusão surge no estudo “The AI Workforce Pulse”, desenvolvido pela Cognizant e pela Pearson, que inquiriu 750 profissionais de recursos humanos de empresas com mais de mil colaboradores nos Estados Unidos, Reino Unido e Índia. De acordo com os resultados, 94% dos responsáveis de recursos humanos consideram que a IA dará origem, nos próximos cinco anos, a novas funções de entrada que atualmente não existem. Paralelamente, 96% acreditam que estes cargos evoluirão para funções centradas na supervisão, gestão e colaboração com sistemas de inteligência artificial, em vez da execução de tarefas rotineiras. O estudo identifica quatro grandes tendências que estão a moldar a força de trabalho na era da IA. Embora a procura por formação em inteligência artificial esteja a aumentar rapidamente, muitas organizações continuam sem capacidade para responder adequadamente. Segundo o relatório, 91% dos inquiridos registaram um aumento dos pedidos de formação em IA por parte dos colaboradores durante o último ano. Ainda assim, 46% das organizações não promovem programas de formação nesta área de forma proativa. Além disso, 60% dos responsáveis de recursos humanos consideram que os atuais programas de aprendizagem e desenvolvimento não conseguem acompanhar a velocidade com que a IA está a transformar as funções profissionais. A evolução tecnológica está também a alterar os critérios de recrutamento. À medida que a IA assume tarefas repetitivas, as empresas procuram cada vez mais competências transversais e capacidades humanas difíceis de automatizar. Cerca de 69% dos profissionais de recursos humanos afirmam que formações multidisciplinares são hoje mais valorizadas para talentos em início de carreira do que especializações muito específicas. Por sua vez, 67% referem atribuir atualmente maior relevância a licenciaturas nas áreas das humanidades e ciências sociais. As competências comportamentais assumem igualmente um papel central. Quase todos os inquiridos (97%) consideram que capacidades como adaptabilidade, pensamento crítico, resolução de problemas e julgamento humano são mais importantes do que nunca. O estudo revela ainda uma crescente dificuldade em encontrar profissionais com as competências necessárias para acompanhar a transformação tecnológica. Cerca de 64% dos responsáveis acreditam que as empresas têm dificuldade em recrutar talento adequado porque a inteligência artificial está a alterar rapidamente os perfis de competências procurados. Apesar disso, apenas 54% das organizações afirmam promover programas de requalificação e atualização de competências em antecipação às mudanças provocadas pela IA. Para Kathy Diaz, Chief People Officer da Cognizant, os modelos tradicionais de recrutamento e desenvolvimento profissional já não são suficientes. “A IA está a remodelar o panorama do talento e a expor as limitações dos modelos tradicionais de gestão de pessoas e aprendizagem. As organizações precisam de repensar rapidamente a forma como contratam e desenvolvem talento”, afirmou em comunicado. O estudo conclui que as organizações mais bem-sucedidas serão aquelas que conseguirem combinar inovação tecnológica com estratégias eficazes de desenvolvimento humano, preparando os colaboradores para trabalhar em conjunto com sistemas de inteligência artificial. |