Estudo revela que poucas organizações controlam custos da IA. A maioria já implementa projetos, mas enfrenta dificuldades em demonstrar valor
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Um estudo da Gartner revela que as organizações estão a acelerar a adoção de Inteligência Artificial (IA), mas ainda poucas implementaram mecanismos estruturados para controlar custos e maximizar o valor destes investimentos. Segundo o relatório, realizado junto de 353 líderes de Data & Analytics (D&A) e IA entre novembro e dezembro de 2025. apenas 44% das organizações que participaram no estudo adotaram mecanismos de controlo financeiro específicos para IA, como práticas de AI FinOps ou guardrails financeiros. Ainda assim, apenas uma em cada cinco lideranças de D&A ou IA demonstra preocupação com o facto da incerteza nos custos limitar o valor dos projetos. A adoção de IA nas empresas tem acelerado significativamente: em 2024, apenas duas em cada cinco organizações tinham implementações de IA em produção; atualmente, esse número aproxima-se de quatro em cada cinco. Adam Ronthal, VP Analyst da Gartner, afirma que os responsáveis por dados e analytics enfrentam uma pressão crescente para demonstrar retorno do investimento. Segundo o analista, num contexto marcado por forte entusiasmo em torno da IA e receios de uma possível “bolha”, os líderes tecnológicos precisam de garantir que os projetos geram valor real para o negócio. Para a Gartner, a avaliação do valor da IA não deve limitar-se apenas ao retorno financeiro tradicional. Georgia O’Callaghan, Director Analyst da empresa, defende que as organizações devem considerar múltiplas dimensões de valor ao avaliar iniciativas de IA. O relatório identifica três áreas prioritárias para maximizar o impacto dos investimentos em IA: definir ambição estratégica, reforçar as bases tecnológicas e preparar as pessoas para a transformação. No primeiro caso, os líderes de D&A devem estabelecer um nível claro de ambição para a utilização de IA na organização, alinhando dados, conhecimento e experiência das equipas para gerar valor a partir da informação disponível. Esta abordagem é descrita pela Gartner como “return on intelligence”. A segunda prioridade passa por reforçar as fundações tecnológicas. Segundo a Gartner, muitas organizações continuam a tratar a IA como uma experiência dispendiosa devido a problemas estruturais, como dívida técnica acumulada, equipas isoladas ou dados pouco preparados para uso em IA. Garantir dados preparados para IA, implementar governação eficaz e criar uma camada de contexto unificada são medidas consideradas essenciais. Por fim, o relatório destaca o papel das pessoas na transformação orientada por IA. Apesar da rápida evolução tecnológica, a capacidade humana de adaptação é mais limitada, o que exige investimento em gestão da mudança e desenvolvimento de competências. A Gartner recomenda que os líderes de D&A concentrem a estratégia menos nas ferramentas e mais nas competências e mentalidade das equipas. A criação de equipas híbridas, que combinam capacidades humanas e inteligência artificial, é apontada como uma das abordagens para aumentar produtividade, envolvimento dos colaboradores e capacidade de adaptação organizacional. |