A inteligência artificial foi o ponto de partida para um debate muito concreto em Lisboa: como passar da experimentação para a criação de valor real nas organizações, numa reunião promovida pela Avanade e pela Microsoft
|
Lisboa acolheu pela primeira vez o Avanade World Tour, um evento que reflete a colaboração entre a Avanade e a Microsoft para acelerar a adoção prática da Inteligência Artificial (IA) nas empresas. O encontro reuniu líderes empresariais e especialistas em tecnologia em torno de um tema comum: o que distingue as organizações que lideram a transição para IA daquelas que permanecem presas na fase experimental. Na sessão de abertura, Tiago Minchin, Country Manager da Avanade Portugal, destacou a relevância do mercado nacional no contexto da estratégia global da empresa, sublinhando que “conseguimos introduzir Lisboa na digressão, o que reflete o investimento que a Avanade está a fazer no nosso país”. O objetivo, acrescentou, é “inspirar” e mostrar, de forma prática, “como as tecnologias estão a ser transformadas em valor e resultados”. “Há cerca de dois anos, a Avanade, Microsoft, Accenture e Unicorn uniram-se para construir a AI Innovation Factory”, um espaço criado para promover a inspiração e acelerar a adoção da IA, ligando tecnologia, pessoas e casos de uso reais. O evento, organizado em parceria com a Microsoft, colocou o conceito deFrontier Firms no centro do debate – empresas que se reinventam continuamente, colocando as pessoas no centro da transformação e usando a IA como motor para repensar processos, modelos de negócio e formas de trabalhar. Para Andrés Ortolá, Diretor-Geral da Microsoft Portugal, a discussão sobre IA já não é teórica. “O amanhã começa hoje”, disse, sublinhando que este centro, construído em conjunto, existe para “dar vida às ideias” e ajudar as organizações a transformar ambição em impacto concreto. Os números de adoção de IA em PortugalHenrique Carreiro, Diretor de IT Insight, liderou uma sessão dedicada à transição do hype da IA para um impacto real no negócio e ao que significa, na prática, tornar-se umaempresa nativa de IA. Sobre a adoção da IA em Portugal, o especialista afirmou que as grandes empresas portuguesas seguem a média europeia, mas alertou para o atraso das PME, que descreveu como “a estrutura estrutural do tecido empresarial português”. Segundo Henrique Carreiro, os principais obstáculos à adoção resumem-se a três fatores críticos: dados, processos e literacia dos utilizadores. Sem dados estruturados e processos, explicou, “os agentes não funcionam”, enquanto a literacia permanece, em muitos casos, limitada ao uso de ferramentas como o Copilot para tarefas do día-a-dia. A entrada massiva das chamadas “colmeias de agentes” – múltiplos agentes de IA a operar simultaneamente – irá, na sua opinião, expor fraquezas profundas nas organizações. Para que a IA tenha um impacto real, alertou, “um fluxo de trabalho real tem de começar numa janela de contexto real”. Uma agenda centrada na práticaA agenda do Avanade World Tour incluiu também outros destaques, incluindo uma sessão de casos de cliente conduzida pela equipa da Avanade, uma apresentação de Mayte Cubino, líder de IA na Microsoft Portugal, sobre a transformação do suporte Microsoft através de IA, e um Tour de Inovação com demonstrações práticas da aplicação da IA em processos de negócio. Mais do que uma montra tecnológica, a Avanade World Tour mostrou que a discussão sobre IA em Portugal está a entrar numa nova fase – mais prática, mais exigente e mais orientada para resultados concretos. Como resumiu Tiago Minchin, “teremos de nos transformar a nós próprios e às empresas para receber inovação” e, acrescentou, são precisamente “as experiências que nos fazem olhar para os desafios e crescer”. |