CFO reforçam papel estratégico com IA

Estudo aponta que 77% dos CFO já estão a influenciar a estratégia das organizações, mas que as lacunas relacionadas com a inteligência artificial persistem

CFO reforçam papel estratégico com IA

Os diretores financeiros (CFO) estão a assumir um papel cada vez mais estratégico nas organizações, impulsionados pela transformação digital e pela adoção de Inteligência Artificial (IA), segundo um estudo da Financial Education & Research Foundation (FERF) em parceria com a CrossCountry Consulting.

De acordo com a investigação, 77% dos CFO afirmam estar fortemente envolvidos na definição da estratégia empresarial. No entanto, apenas 68% dedicam até 40% do seu tempo a atividades estratégicas, evidenciando a pressão contínua das responsabilidades operacionais.

A adoção de IA está a acelerar, com 64% das organizações a reportarem iniciativas de transformação ativas, motivadas sobretudo por ganhos de eficiência (91%) e automação (80%). Ainda assim, persistem desafios significativos: cerca de 46% das empresas não dispõem de estruturas formais de governação de IA, e apenas 7% dos líderes financeiros se sentem plenamente confiantes na interpretação dos resultados gerados por estas tecnologias.

Os processos financeiros continuam também a enfrentar limitações estruturais. O fecho mensal permanece um ponto crítico, com 81% das organizações a depender de processos manuais, enquanto apenas 15% implementaram algum nível de automação. Ainda assim, 62% encontram-se em fase de planeamento para automatizar esta função.

A escassez de talento surge como outro entrave relevante. Cerca de 87% das equipas financeiras têm menos de um quarto dos seus membros com formação em análise de dados ou IA, e mais de metade das organizações (51%) não possui preparação formal para lidar com a transformação digital.

Apesar de 89% dos inquiridos considerarem que os CFO devem ser responsáveis pelos resultados da IA na área financeira, a liderança destas iniciativas permanece fragmentada: 22% são lideradas por CFO, 22% por CIO, 15% partilhadas e 42% distribuídas por várias áreas.

O estudo, resultado de um inquérito junto a 197 executivos, destaca ainda que fatores como resistência à mudança, restrições orçamentais (ambos com 60%) e sistemas legados (55%) continuam a limitar a evolução das organizações.

Perante este cenário, as empresas estão a apostar na normalização de processos, clarificação de responsabilidades e adoção de modelos operacionais mais escaláveis, com o objetivo de permitir que a função financeira evolua de um papel reativo para um motor de criação de valor.

A evolução do CFO reflete uma transformação mais ampla: de gestor financeiro para arquiteto estratégico, num contexto em que a IA deixa de ser apenas uma ferramenta tecnológica para se tornar um elemento central na definição do futuro das organizações.

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