Mais de um quarto dos CEO vê os CFO como principal risco interno, num contexto de stress elevado e pressão crescente
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Os diretores financeiros (CFO) estão a emergir como uma das principais ameaças à estabilidade dos CEO, num cenário marcado por pressão interna crescente e níveis elevados de stress na liderança. De acordo com um estudo da Boston Consulting Group (BCG), mais de um quarto dos CEO identifica o CFO como o maior risco à sua permanência no cargo. A análise baseia-se em inquéritos a cerca de 500 líderes empresariais e dados de rotatividade no índice S&P 1200. O estudo revela que mais de 70% dos CEO apresentam níveis de stress considerados clinicamente elevados, refletindo a pressão intensa associada à gestão de objetivos de curto prazo e expectativas de crescimento. A exigência de resultados imediatos continua a ser a principal fonte de tensão, com metas de crescimento e controlo de custos no topo das preocupações. Cerca de 60% dos CEO antecipam condições operacionais difíceis nos próximos meses. A pressão dos conselhos de administração também tem aumentado. Um em cada três CEO afirma ter mais a provar aos boards do que há seis meses, enquanto mais de metade prevê alterações nas equipas de liderança no curto prazo. Apesar deste foco no desempenho imediato, o estudo identifica lacunas na avaliação de riscos de longo prazo. Fatores associados à rotatividade de CEO, como o ativismo acionista ou o descontentamento dos colaboradores, continuam a ser subvalorizados. A inteligência artificial, por sua vez, não figura entre as principais fontes de preocupação, ocupando apenas a nona posição entre os fatores de stress. A maioria dos CEO encara a inteligência artificial como uma oportunidade de inovação, e não como uma ameaça. O relatório destaca ainda o impacto emocional da função, com muitos líderes a descreverem o cargo como isolante e exigente, tendo de gerir simultaneamente expectativas de diferentes stakeholders. A BCG conclui que os CEO enfrentam um desafio crescente: equilibrar as exigências imediatas de desempenho com a necessidade de antecipar riscos estruturais e garantir a sustentabilidade a longo prazo das organizações. |