CFO estão a avaliar mal o ROI da IA, diz Gartner

A Gartner alerta que os CFO estão a avaliar mal o retorno da IA. Defende uma abordagem em portfólio e a valorização de benefícios não financeiros

CFO estão a avaliar mal o ROI da IA, diz Gartner

Os diretores financeiros (CFO) estão a avaliar de forma incorreta os investimentos em Inteligência Artificial (IA) ao tratá-los como um único problema de retorno sobre o investimento (ROI), em vez de um conjunto diversificado de apostas com características distintas, segundo a Gartner.

A IA não segue uma única curva de custos nem gera um tipo uniforme de valor”, afirmou Twisha Sharma, Senior Principal de Research na área de Finanças da Gartner. “Os CFO precisam de deixar de procurar uma fórmula única de ROI e, em vez disso, construir um portfólio equilibrado que inclua casos de uso de produtividade, melhorias de processos e apostas transformacionais”.

A Gartner propõe que os projetos de IA sejam encarados como diferentes tipos de viagem, com propósitos e perfis económicos distintos. Este portfólio deve incluir iniciativas mais rotineiras, focadas na automatização de tarefas repetitivas, projetos mais avançados que reforcem a análise e a tomada de decisão, e iniciativas transformacionais orientadas para inovação e disrupção competitiva.

Segundo Sharma, as diferenças económicas entre casos de uso podem ser significativas, tornando difícil aplicar uma abordagem uniforme de avaliação de valor. Cada projeto apresenta prazos, ambições, perfis de risco e custos operacionais distintos, o que exige maior rigor na análise financeira.

Caso as equipas financeiras não detalhem adequadamente os modelos de custo, poderão enfrentar surpresas orçamentais ao longo do tempo, alertou.

Outro ponto crítico destacado pela Gartner é o risco de subvalorização da IA quando a análise se limita a indicadores financeiros imediatos, como crescimento de receitas, redução de custos ou melhoria de fluxo de caixa.

Muitas iniciativas de IA geram primeiro valor não financeiro, incluindo melhor suporte à decisão, maior agilidade organizacional, expansão da capacidade operacional, reforço da inovação e até mudanças no papel das equipas financeiras dentro das organizações.

O valor da IA nem sempre é capturado primeiro nas métricas financeiras tradicionais. Em muitos casos, manifesta-se mais cedo em melhores decisões, maior capacidade de adaptação e reforço das competências organizacionais”, explicou Sharma.

De acordo com a Gartner, as empresas que irão retirar maior valor da IA não serão aquelas que procuram uma única grande disrupção ou que avaliam todos os projetos com a mesma métrica de ROI. O sucesso passará por uma gestão em portfólio, equilibrando ganhos de produtividade, melhorias específicas e apostas transformacionais, enquanto se escalam iniciativas bem-sucedidas e se abandonam rapidamente as menos promissoras.

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