CFO apostam na IA, mas temem execução

Apesar de 85% dos CFO considerarem a IA estratégica, 92% admitem dificuldades na implementação, revela estudo da Coupa

CFO apostam na IA, mas temem execução

A Inteligência Artificial (IA) já é vista como central para a estratégia empresarial, mas a sua implementação continua a representar um desafio significativo para as organizações.

Segundo o relatório “2026 Strategic CFO Report” da Coupa, 85% dos diretores financeiros (CFO) consideram a IA essencial para o futuro dos seus negócios. No entanto, 92% admitem preocupações quanto à capacidade de execução, um aumento significativo face aos 66% registados no ano anterior.

O estudo evidencia a existência de um “fosso tecnológico”, onde a ambição estratégica supera a capacidade operacional das empresas.

Um dos principais obstáculos identificados é a fragmentação dos dados. Apenas 5% das organizações conseguem aceder de forma imediata e integrada aos seus dados financeiros, obrigando as equipas a processos manuais demorados.

Em média, os CFO reportam perder 26 horas por mês na reconciliação manual de dados, o equivalente a mais de três dias de trabalho.

Além disso, mais de um terço dos líderes financeiros indica que os processos ainda dependem de intervenção manual, enquanto 73% apontam a qualidade dos dados e a preparação para IA como principais barreiras. A incerteza quanto ao retorno do investimento também pesa, sendo referida por 76% dos inquiridos.

Apesar destes desafios, as organizações estão a evoluir para modelos mais avançados, incluindo a adoção de IA com agência. Cerca de 41% dos CFO acreditam que a execução autónoma de workflows terá o maior impacto financeiro a longo prazo.

Para acompanhar esta transformação, 42% das empresas estão a investir na requalificação das suas equipas, com foco em competências relacionadas com IA e automação.

O relatório conclui que a adoção bem-sucedida de IA exige mais do que investimento tecnológico, implicando também mudanças ao nível da gestão de dados, organização do trabalho e desenvolvimento de competências.

A capacidade de ultrapassar este fosso entre estratégia e execução será determinante para que as empresas consigam extrair valor real da inteligência artificial.

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