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“A Luís Simões passou a encarar a tecnologia como um acelerador de eficiência, escalabilidade e diferenciação”

Com uma renovação dos sistemas core e maior maturidade em integração e cibersegurança, o CIO da empresa de logística e transportes revela como a tecnologia passou a ser um vetor central de eficiência e escalabilidade no negócio logístico

“A Luís Simões passou a encarar a tecnologia como um acelerador de eficiência, escalabilidade e diferenciação”

André Santos é o nome por detrás da evolução tecnológica e digital da Luís Simões.

A desempenhar o cargo desde 2023, o CIO destaca a jornada de consolidação da “visão do IT como área estratégica”, que integra tanto a criação de valor para o negócio, como a transformação do modelo operacional da empresa portuguesa de logística e transporte, fundada na década de 1940, que é já uma referência em toda a Península Ibérica.

 

André Santos, CIO do Grupo Luís Simões

Os tempos são agora outros e o ímpeto do desenvolvimento tecnológico, tal como revelam os dados do estudo “Desafios de Talento em Logística”, do ManpowerGroup, em parceria com a Associação Portuguesa de Logística, destacam a transformação digital como a principal prioridade estratégica do setor.

Em entrevista à IT Insight, André Santos afirma que tem existido uma “renovação significativa dos sistemas core”, em áreas como a logística e transportes, com a transformação a refletir-se num “reforço claro da camada de integração entre aplicações e uma maior maturidade em temas como cibersegurança e governação tecnológica”.

Neste ponto, o CIO explica que “a Luís Simões passou a encarar a tecnologia, não apenas como suporte à operação, mas como um verdadeiro acelerador da eficiência, da escalabilidade e da diferenciação num setor altamente competitivo”.

O valor na gestão da tecnologia e da inovação

A estratégia de transformação digital da organização, explica André Santos, está hoje assente na eficiência operacional, na visibilidade end-to-end da cadeia logística e na melhoria da experiência de colaboradores e clientes.

Com o objetivo de tornar os processos mais integrados e suportados, a empresa portuguesa tem apostado na implementação de novos sistemas de gestão de transportes e de armazéns, na harmonização de processos entre geografias e na melhoria da experiência digital interna.

“A inovação tecnológica deixou de ser pontual e passou a fazer parte do dia a dia, com maior proximidade às áreas operacionais, maior foco na adoção das soluções e também numa governação que privilegia decisões informadas, rapidez de execução e simplicidade”, revela.

O papel das tecnologias emergentes na transformação dos processos

O negócio tem-se adaptado à inevitável evolução tecnológica, numa integração que tem decorrido de “forma pragmática” e orientada “a casos de uso concretos”.

Entre as tecnologias emergentes, André Santos identifica a cloud híbrida como um garante de flexibilidade, escalabilidade e resiliência, permitindo “manter o controlo sobre os sistemas críticos”; outro dos destaques vai para a automação inteligente, onde os maiores beneficiários são os processos operacionais e administrativos. A equação fica completa com a inteligência artificial generativa, explorada “de forma ética e responsável” e, sobretudo, “como ferramenta de apoio à produtividade e à análise de informação” na operação.

Numa era de dados, a área de transporte e logística também não é exceção, pelo contrário: a importância estratégica do tema levou a Luís Simões criar uma Direção de Dados em janeiro de 2025 de forma a acompanhar a tendência, garantindo uma maior previsibilidade e uma gestão mais informada.

A disponibilização de dados consistentes contribui igualmente para suportar decisões rápidas e informadas ao longo da cadeia de valor. O acesso a dados fiáveis tem permitido às equipas operacionais tomarem “decisões com maior confiança”, num setor “onde o tempo e a eficiência são críticos”.

Medir o pulso à transformação

A tríade que alinha estratégia, tecnologia e pessoas é, na visão de André Santos, o fator-chave para o sucesso de uma organização no processo de transformação digital, que só pode ser bem-sucedida “quando existe uma visão clara do que se pretende alcançar, uma liderança comprometida e uma forte aposta na adoção e na mudança cultural”, e acrescenta: “a tecnologia é um meio, não um fim”.

Para o CIO, um dos principais desafios que se impõe nesta jornada prende-se com “o equilíbrio entre a continuidade operacional de um negócio crítico e a implementação de mudanças estruturais profundas”. Por outro lado, é igualmente necessário “assegurar o alinhamento” entre as diferentes áreas e geografias para garantir “consistência sem perder agilidade”.

A cibersegurança é uma das prioridades para a próxima fase, a par da “consolidação dos sistemas core implementados” e do “reforço da arquitetura de integração”, assim como a utilização de dados como suporte à decisão operacional e estratégica. Ao projetar o futuro, André Santos considera o diretor de IT vai assumir um papel “cada vez mais híbrido”, numa equação que inclui “um sólido domínio tecnológico”, acompanhado por “uma profunda compreensão do negócio, capacidade de liderança e visão estratégica”. “O CIO assume- se, cada vez mais, como um agente de transformação, focado na criação de valor, na gestão da mudança e no impacto real da tecnologia nos resultados da organização. É isto que tento, no meu dia a dia, assumir desde já”, conclui.

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