Um estudo do The Conference Board revela que a incerteza é a principal ameaça económica para CEO nos EUA em 2026. A dificuldade em medir o retorno da IA e os ciber-riscos agravam o cenário
|
Os CEO iniciam 2026 num contexto marcado por elevados níveis de incerteza económica, pressão tecnológica e riscos geopolíticos crescentes. De acordo com o “C-Suite Outlook 2026”, do The Conference Board, a incerteza é apontada como a maior ameaça económica pelos líderes empresariais nos Estados Unidos, superando mesmo o risco de recessão. O estudo, que recolheu respostas de mais de 1.700 executivos, incluindo mais de 750 CEO da América do Norte, Europa e Ásia, indica que 43% dos CEO norte-americanos classificam a incerteza como a principal ameaça para 2026, face a 29% a nível global. Globalmente, o maior receio continua a ser uma desaceleração económica ou recessão, referida por 36% dos CEO. A Inteligência Artificial (IA) surge como outro fator crítico de preocupação. A principal prioridade dos CEO passa por medir o retorno do investimento (ROI) das iniciativas de IA. Esta preocupação é particularmente forte nos Estados Unidos, onde 46% dos CEO indicam a medição de ROI como prioridade máxima, acima da média global de 33%. O estudo revela ainda que os CEO norte-americanos são os mais pessimistas quanto ao impacto da IA, com 38% a anteciparem efeitos negativos nos seus negócios em 2026. No domínio da força de trabalho, o desenvolvimento de competências e liderança assume um papel central, impulsionado pela transformação dos modelos de trabalho induzida pela IA. A saúde mental dos colaboradores ganha destaque, sendo considerada uma das três principais prioridades sociais para 2026, ultrapassando temas tradicionais como condições de trabalho e igualdade de género. Em matéria de sustentabilidade, os resultados mostram uma divergência clara entre regiões. Nos Estados Unidos, 38% dos CEO afirmam que os investimentos em sustentabilidade não vão ser uma prioridade em 2026, o dobro da percentagem registada a nível global. Ainda assim, as iniciativas ligadas à economia circular e à transição energética continuam a figurar entre as principais apostas. A escassez de talento, em particular em áreas ligadas à IA, mantém-se como um desafio estrutural. A pressão salarial é mais evidente nos EUA, onde 27% dos CEO apontam as expectativas de remuneração mais elevada como um obstáculo à contratação. Paralelamente, 31% dos CEO a nível global indicam o reforço de competências em IA como principal foco tecnológico, percentagem que sobe para 37% nos Estados Unidos. No plano geopolítico, os ciberataques lideram a lista de ameaças para 2026. Quase metade dos CEO a nível global (47%) identificam este risco como o mais relevante, valor que sobe para 54% entre os CEO norte-americanos. A incerteza global e os conflitos armados surgem igualmente como preocupações relevantes, com especial destaque para a Europa e a região Ásia-Pacífico. Apesar do cenário adverso, os CEO mantêm uma agenda orientada para o crescimento. A revisão dos modelos de negócio, o investimento em IA e tecnologia e o reforço do planeamento financeiro estão entre as principais prioridades estratégicas para 2026, num esforço para aumentar a resiliência e a rentabilidade num ambiente cada vez mais volátil. |