IDC aponta liderança chinesa na corrida à IA

A IDC considera que a China está a acelerar a liderança global em inteligência artificial. O mercado empresarial de IA deverá ultrapassar 2,1 biliões de dólares até 2029

IDC aponta liderança chinesa na corrida à IA

A IDC considera que a China está a assumir uma posição dominante no novo ciclo de crescimento global da Inteligência Artificial (IA), impulsionado pela rápida adoção empresarial, expansão do mercado de robótica e desenvolvimento de plataformas AI-native.

Durante um evento realizado em Pequim, a consultora afirmou que o mercado global de IA empresarial deverá atingir os 940 mil milhões de dólares em 2026 e crescer para 2,1 biliões de dólares até 2029.

Segundo Kitty Fok, managing director da IDC China, o setor entrou numa nova fase do chamado AI Supercycle. Após uma primeira etapa centrada em infraestruturas, capacidade computacional e modelos fundacionais, o mercado está agora orientado para aplicações empresariais, IA com agência e serviços inteligentes em escala.

A IDC destaca a evolução acelerada da China em áreas como robótica, embodied intelligence e serviços Model-as-a-Service (MaaS). O investimento chinês em embodied intelligence deverá crescer de 1,4 mil milhões para 77 mil milhões de dólares em cinco anos, correspondendo a uma taxa média anual de crescimento de 94%. No segmento MaaS, a IDC prevê uma taxa de crescimento anual composta de 1.154,9% entre 2024 e 2030. Em 2026, o mercado deverá atingir 40 mil biliões de token calls.

Segundo Zhenshan Zhong, vice president da IDC China, o token tornou-se na principal unidade económica da IA empresarial, tanto ao nível do custo como do valor gerado. A consultora considera que o mercado está a passar de uma lógica centrada na geração de conteúdo para modelos orientados à execução automatizada através de agentes.

A IDC refere ainda que métricas tradicionais de desempenho, como FLOPS, estão a perder relevância para indicadores de eficiência energética como Tokens per watt, que avaliam a capacidade de geração útil de IA por unidade de energia consumida.

Até 2027, mais de 70% da procura de computação inteligente deverá estar associada a workloads de inferência. O mercado global de servidores acelerados para IA poderá ultrapassar um bilião de dólares até 2029.

A estratégia tecnológica chinesa está também a ser moldada pelo 15.º Plano Quinquenal, iniciado em 2026. Segundo a IDC, as prioridades passam pela soberania digital, criação de novas oportunidades de negócio e expansão de plataformas e ecossistemas tecnológicos chineses.

A consultora considera que o foco das empresas chinesas está a evoluir da exportação de produtos para a exportação de capacidades, plataformas e ecossistemas AI-native.

No setor industrial, a IDC destaca a integração crescente de IA em produção, cadeias de abastecimento, operações e serviços pós-venda. A chamada Industrial AI está a substituir modelos tradicionais focados apenas em controlo e monitorização por sistemas com capacidades de perceção, previsão e execução colaborativa.

A IDC prevê ainda o envio de 900 milhões de dispositivos inteligentes na China durante 2026. Apesar da pressão sobre custos de componentes, como memória, a consultora considera que o fator decisivo deixou de ser o hardware e passou a ser a experiência inteligente e integração em ecossistemas AI-native.

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