IA expõe novas falhas na gestão do risco digital

A maioria das empresas inquiridas num estudo da Outtake Labs não consegue travar agentes de IA comprometidos nem detetar campanhas de falsificação de identidade

IA expõe novas falhas na gestão do risco digital

O risco digital tornou-se uma das principais preocupações das organizações em 2026, impulsionado pela proliferação de Inteligência Artificial (IA), fraudes digitais e campanhas de falsificação de identidade cada vez mais sofisticadas.

Esta é a conclusão do relatório 2026 State of Digital Risk Report, desenvolvido pela Outtake Labs, e que contou com a participação de mais de 1.100 responsáveis de segurança e gestão de risco.

O estudo conclui que as empresas enfrentam dificuldades crescentes para controlar ameaças que se desenvolvem fora dos já tradicionais perímetros de segurança, nomeadamente a utilização de deepfakes para impersonação de executivos, a proliferação de identidades sintéticas e os riscos associados à utilização de agentes de IA em ambientes abertos.

Uma das principais conclusões do relatório está relacionada com o que os autores designam como “AI Trust Gap”. Segundo o estudo, 96% das organizações não dispõem de mecanismos automáticos capazes de interromper ou conter um agente de IA comprometido. Embora muitas consigam identificar comportamentos suspeitos, a capacidade de resposta continua dependente de intervenção humana, criando um intervalo temporal que pode ser aproveitado por atacantes.

E o problema tende a agravar, visto que as organizações estão a aumentar a utilização de agentes de IA para automatizar processos de negócio, pesquisa de informação e interação com clientes. De acordo com os autores do estudo, os modelos tradicionais de segurança não foram concebidos para proteger sistemas autónomos que operam continuamente e interagem com conteúdos externos.

Outra tendência identificada é o crescimento dos casos de impersonação digital, uma vez que quase metade das organizações inquiridas afirma suspeitar ou ter confirmado situações de deepfake a envolver os seus próprios executivos. O relatório refere também que muitas empresas continuam sem mecanismos eficazes para distinguir comunicações legítimas de conteúdos gerados artificialmente.

O estudo identifica ainda falhas nos processos de deteção, com as empresas a descobrirem campanhas de impersonação através de alertas de clientes ou parceiros externos, ao invés das próprias equipas de segurança ou plataformas de monitorização.

O relatório inclui ainda um modelo de avaliação de maturidade que classifica as organizações de acordo com três níveis – reativo, gerido e adaptativo –, concluindo que muitas empresas permanencem numa fase intermédia de desenvolvimento das suas capacidades de gestão do risco digital.

Para os decisores empresariais, a principal mensagem é a de que a transformação, quando impulsionada pela IA, cria não só novas oportunidades de negócio, mas também novos desafios de governação e confiança.

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