A União Europeia prepara-se para tornar obrigatória a retirada gradual de equipamento chinês de setores críticos, como telecomunicações e energia solar, reforçando as regras de cibersegurança no bloco
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A União Europeia está a avançar com medidas para forçar a eliminação progressiva de equipamentos fabricados por fornecedores chineses de infraestruturas críticas, incluindo redes de telecomunicações e sistemas de energia solar, segundo revelou o Financial Times, citado pela Agência Reuters. De acordo com o jornal, empresas como a Huawei e a ZTE podem vir a ser excluídas destes setores estratégicos ao abrigo de uma nova proposta de cibersegurança que deverá ser apresentada na próxima terça-feira. Atualmente, o regime europeu que restringe fornecedores considerados de “alto risco” é de aplicação voluntária, mas a nova iniciativa pretende torná-lo obrigatório para todos os Estados-membros. Fontes citadas pelo Financial Times indicam que os prazos para a retirada do equipamento vão depender do nível de risco identificado para a União Europeia e do setor em causa, tendo também em conta os custos envolvidos e a disponibilidade de fornecedores alternativos. Em alguns dos maiores mercados europeus, como Espanha e Alemanha, operadores de telecomunicações têm resistido à implementação de medidas mais restritivas relativamente a fornecedores chineses, sobretudo devido ao impacto financeiro e operacional dessas decisões. A Reuters refere que não conseguiu confirmar de forma independente as informações avançadas pelo Financial Times. Já a Comissão Europeia, o Ministério do Comércio da China, bem como a Huawei e a ZTE, não responderam de imediato aos pedidos de comentário. A notícia surge num contexto de endurecimento da posição europeia face à utilização de tecnologia chinesa em setores sensíveis. Em dezembro, a Reuters noticiou que a Huawei estaria a reavaliar o futuro de uma fábrica recentemente concluída no leste de França, num cenário marcado pela desaceleração da implementação do 5G na Europa e por uma postura mais cautelosa de vários governos. Os Estados Unidos proibiram, em 2022, a aprovação de novos equipamentos de telecomunicações da Huawei e da ZTE e têm vindo a pressionar aliados europeus a adotar medidas semelhantes, que invocam preocupações de segurança nacional e riscos de espionagem. A eventual obrigatoriedade da exclusão de fornecedores chineses pode representar uma mudança estrutural significativa nas cadeias de fornecimento europeias, com impacto direto na política industrial, energética e digital da União Europeia. |