Colaboradores pretendem manter o trabalho remoto

A transição para um trabalho remoto em larga escala é desafiante não só do ponto de vista do processo, mas também culturalmente. Estudo europeu revela algumas surpresas.

Colaboradores pretendem manter o trabalho remoto

A pandemia COVID-19 forçou milhões de pessoas em todo o mundo a ficarem em casa e como resultado, grande parte dos funcionários de muitas organizações estão a trabalhar remotamente.

Para alguns, esta nova forma de trabalhar tem alguns benefícios, visto que não existe tempo perdido em deslocações, conseguem ter um maior nível de concentração e um equilíbrio visivelmente melhorado entre a vida profissional e a vida pessoal.

Para outros, porém, esta mudança para o trabalho remoto surge como um grande desafio, visto que grande parte das empresas tiveram de implementar rapidamente novas medidas para os seus trabalhadores, muitas vezes sem experiências comparáveis anteriores.

A transição para um trabalho remoto em larga escala é muito desafiante não só do ponto de vista do processo, mas também culturalmente.

Um novo relatório conduzido pela empresa de gestão de acesso Okta inquiriu 6.000 trabalhadores de escritórios em todo o Reino Unido, Alemanha, França e Holanda, entre abril e maio de 2020, e descobriu, por exemplo, que apenas um em cada quatro entrevistados do Reino Unido deseja voltar ao local de trabalho cinco dias por semana. Por outro lado, os franceses e holadeses são um pouco mais amigos do convívio laboral e esse número sobe para um em cada três.

Apurou-se ainda que apenas uma minoria dos trabalhadores deseja um acordo de trabalho totalmente remoto (17%). O cenário ideal é então um modelo flexível, no qual a equipa poderia trabalhar em casa em regime parcial. Assim sendo, as empresas terão que mostrar flexibilidade para acomodar as diferentes necessidades dos seus colaboradores, à medida que os locais de trabalho começarem a reabrir.

A investigação da Okta mostrou ainda que mais da metade dos entrevistados afirma que a sua produtividade aumentou graças ao tempo livre adicional no seu quotidiano.

No Reino Unido, por exemplo, a maioria dos inquiridos (55%) disse que antes da pandemia, nunca tinham trabalhado em casa e iam para um escritório físico cinco dias por semana.

Embora a transformação digital tenha estado na vanguarda das estratégias de muitas organizações nos últimos anos, algumas empresas - especialmente as de setores não digitalmente intensivos - continuam a ficar para trás. Aqueles que não implementaram os processos que permitem aos colaboradores aceder remotamente às suas ferramentas, estão agora a ter de acelerar a transformação digital do seu local de trabalho para se adaptarem e continuarem a trabalhar com a mesma eficácia.

De acordo com o inquérito da Okta, um grande número de empresas não tinha agido anteriormente para garantir que os seus sistemas não estavam ligados a um escritório físico. Enquanto 60% dos inquiridos no Reino Unido disseram ter conseguido aceder ao software de que necessitam para cumprir as funções diárias, cerca de 24% dos trabalhadores recém-remotos afirmaram não conseguir ser produtivos a partir de casa, o que acontece na sua maioria em setores como o de retalho e de transportes e distribuição.

O maior obstáculo, no entanto, tem sido cultural. Embora a maioria dos trabalhadores se sinta totalmente à vontade com reuniões virtuais, a maioria deles também acha que a comunicação e a colaboração com os colegas foram afetadas desde o confinamento. Quase 60% dos inquiridos do Reino Unido sentem falta de conversar pessoalmente com os seus colegas de trabalho, por exemplo.

Em alguns lugares e em certas indústrias, trabalhar a partir de casa é visto como uma desculpa para os colaboradores não serem tão produtivos devido à falta de supervisão ou microgestão, e existe ainda quem esteja preocupado com a falta de comunicação presencial que advém do trabalho remoto pode ter um impacto negativo na inovação e na cultura da empresa.

Recentemente, o Facebook informou os colaboradores de que a maioria deles poderia continuar a trabalhar em casa até ao final do ano – um exemplo seguido pela empresa imobiliária Zillow e pela seguradora Sagicor. O CEO do Twitter, Jack Dorsey, já anunciou que a equipa da empresa teria a opção de manter o trabalho remoto permanentemente, mesmo após a reabertura total dos escritórios.
Em Portugal,  empresas como a EDP, estão a planear um regresso tão gradual às suas instalações a partir de setembro que alguns dos colaboradores só voltarão a ver a sua secretária já em 2021.

Por mais desafiante que seja, uma coisa é clara: não é possível voltar ao normal como tal era conhecido, especialmente quando se trata da forma como os funcionários trabalhavam.  

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