A Arm apresentou o AGI CPU para centros de dados e prevê gerar milhares de milhões em receitas. O chip marca a transição de licenciamento para produção própria
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A Arm Holdings anunciou o lançamento de um novo processador para data centers orientado para Inteligência Artificial (IA), designado AGI CPU, numa mudança estratégica significativa que poderá acrescentar milhares de milhões de dólares às receitas anuais da empresa. O novo chip foi concebido para responder às necessidades de processamento de um tipo emergente de inteligência artificial, conhecida como IA agentic, capaz de atuar em nome dos utilizadores com pouca supervisão, em vez de se limitar a responder a pedidos como os chatbots tradicionais. A crescente procura por este tipo de soluções tem impulsionado a procura por unidades centrais de processamento (CPU), beneficiando fabricantes como a Intel e a AMD, num segmento que ganha relevância no ecossistema de IA. O anúncio teve impacto imediato no mercado, com as ações da Arm a subirem 6,5% em negociação após o fecho. Ainda assim, os títulos tinham encerrado a sessão anterior com uma queda de 1,4%, acumulando uma valorização de cerca de 22% desde o início do ano. Historicamente, a Arm tem baseado o seu modelo de negócio no licenciamento de propriedade intelectual, fornecendo designs a empresas como Qualcomm e Nvidia, e obtendo receitas através de royalties associados ao número de unidades vendidas. No entanto, a empresa, maioritariamente detida pelo grupo japonês SoftBank, já tinha sinalizado em 2024 a intenção de desenvolver chips próprios. O AGI CPU é o primeiro produto resultante dessa nova abordagem. Segundo o CEO, Rene Haas, trata-se de “um momento decisivo” para a empresa. A Arm estima que o novo chip possa gerar cerca de 15 mil milhões de dólares em receitas anuais dentro de cinco anos. No mesmo horizonte temporal, a empresa prevê atingir lucros por ação de nove dólares e receitas totais de 25 mil milhões de dólares. Paralelamente, o negócio tradicional de propriedade intelectual deverá duplicar. O desenvolvimento do AGI CPU está sob a liderança de Mohamed Awad, responsável pela área de cloud AI da Arm. A empresa planeia lançar novos designs numa cadência de 12 a 18 meses. A Meta será o principal parceiro no desenvolvimento e adoção do novo processador, tendo colaborado diretamente no design. Entre os clientes estão também a OpenAI, a Cloudflare, a SAP e a SK Telecom. A produção do chip está a cargo da TSMC, recorrendo a tecnologia de três nanómetros. O processador é composto por dois blocos de silício que operam como uma única unidade. A Arm já recebeu unidades de teste funcionais e prevê iniciar a produção em volume na segunda metade do ano. Além do chip, a empresa está a trabalhar com fabricantes de servidores, como a Lenovo e a Quanta Computer, para disponibilizar sistemas completos ao mercado. |