O 6G poderá tornar-se essencial para escalar a inteligência artificial, suportando aplicações em tempo real e novos modelos digitais
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A próxima geração de redes móveis, o 6G, poderá assumir um papel central no desenvolvimento da Inteligência Artificial (IA), tornando-se a infraestrutura base para aplicações em larga escala e em tempo real. Segundo um estudo da Boston Consulting Group (BCG), as redes móveis estão a evoluir de sistemas de comunicação para plataformas críticas capazes de suportar aplicações intensivas em dados, sensores e IA. Ao contrário das aplicações digitais tradicionais, os novos sistemas de IA exigem elevados volumes de dados em uplink, latência determinística e uma arquitetura distribuída entre dispositivos, edge e cloud — requisitos que ultrapassam as capacidades das redes atuais. O 5G lançou as bases desta transformação. Desde o seu lançamento em 2019, já gerou mais de um bilião de dólares em impacto económico global, podendo atingir 18 biliões até 2035. Com o aumento da complexidade das aplicações, a conectividade tornou-se um fator crítico, especialmente para sistemas de IA que dependem de processamento distribuído e resposta em tempo real. Previsto para o final da década, o 6G deverá trazer melhorias significativas em capacidade, latência e integração entre dispositivos e infraestruturas digitais, permitindo uma nova geração de aplicações. Entre os principais casos de uso estão a automação industrial avançada, realidade aumentada e virtual, cidades inteligentes, mobilidade autónoma e cuidados de saúde digitais. O estudo destaca ainda que o 6G permitirá uma integração mais profunda entre o mundo físico e digital, com sistemas de IA a operar continuamente e a processar dados em tempo real. No entanto, a concretização deste cenário dependerá de fatores estratégicos, incluindo acesso ao espectro de radiofrequência, desenvolvimento de redes globais, investimento em investigação e formação de talento especializado. A BCG sublinha que as decisões tomadas nesta década serão determinantes para definir o papel do 6G na próxima fase da economia digital, numa altura em que a conectividade se torna parte integrante da própria arquitetura da inteligência artificial. |